COMÉRCIO – O mercado da carne bovina brasileira segue sendo sustentado pelo desempenho das exportações, que continuam absorvendo o aumento da oferta de animais e contribuindo para a recuperação dos preços do boi gordo. A avaliação é da Consultoria Agro Itaú BBA, que aponta uma retomada das cotações após a queda registrada em maio.
Segundo o levantamento, a arroba do boi gordo apresentou desvalorização de 3,9% em maio na comparação com o mês anterior, encerrando o período com média de R$ 349. No entanto, o cenário começou a mudar no início de junho, quando a cotação voltou a subir e atingiu R$ 354 por arroba no dia 11.
Apesar do crescimento na oferta de animais terminados em relação ao ano passado, a forte demanda internacional foi suficiente para manter o equilíbrio do mercado ao longo do período.
Os embarques de carne bovina in natura alcançaram 262 mil toneladas em maio, volume 20% superior ao registrado no mesmo mês de 2025 e 16% acima da média anual, reforçando o bom desempenho das exportações brasileiras.
Dados do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE) também mostram avanço na produção. No primeiro trimestre de 2026, o número de bovinos abatidos cresceu 3,3% em relação ao mesmo período do ano anterior. A produção de carne, por sua vez, aumentou 5,1%, impulsionada pela redução da participação de fêmeas nos abates e pelo maior peso médio das carcaças.
Outro indicador positivo foi a valorização do bezerro. Conforme a Consultoria Agro Itaú BBA, os preços da categoria avançaram 2% em maio, enquanto a carcaça casada permaneceu estável no mercado atacadista.
China amplia compras da carne bovina brasileira
A China permaneceu como o principal destino da carne bovina exportada pelo Brasil. Entre janeiro e maio de 2026, os embarques para o mercado chinês cresceram 24% na comparação com o mesmo período do ano anterior, respondendo por 51% de todo o volume exportado pelo país.
Além do aumento nas vendas, o preço médio da tonelada exportada também apresentou valorização, passando de US$ 5.400 em janeiro para US$ 6.800 em maio.
Segundo a Consultoria Agro Itaú BBA, outro fator que favoreceu o setor foi a combinação entre a redução de 3% no preço do boi em dólares e a valorização de 4,2% da carne bovina no mercado internacional. Com isso, o spread das exportações passou de 0% em abril para 7% em maio.
A consultoria destaca ainda que a menor participação de fêmeas nos abates, aliada à valorização do bezerro, sinaliza a continuidade do processo de reconstrução do rebanho bovino brasileiro, movimento considerado importante para a sustentabilidade da produção nos próximos anos.
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