TRANSIÇÃO ENERGÉTICA – A energia solar vem ganhando cada vez mais espaço na matriz elétrica brasileira e já permite que consumidores reduzam em até 90% os gastos com a conta de luz. O avanço é impulsionado pelo aumento das tarifas de energia elétrica, pela queda no preço dos equipamentos e pela expansão da geração distribuída no país.
Segundo a Associação Brasileira de Energia Solar Fotovoltaica (Absolar), o Brasil já ultrapassou a marca de 19 gigawatts (GW) de potência instalada em energia solar, consolidando a fonte como a terceira maior da matriz elétrica nacional, atrás apenas das hidrelétricas e da energia eólica.
Do total instalado, 13 GW são provenientes da geração distribuída, modalidade em que os sistemas fotovoltaicos são instalados em telhados, fachadas de imóveis e pequenos terrenos. Os outros 6 GW correspondem às usinas solares de grande porte.
A perspectiva é de continuidade do crescimento. De acordo com projeções da Confederação Nacional da Indústria (CNI), a capacidade instalada de energia solar no Brasil poderá dobrar até o início de 2027.
Alta na conta de luz impulsiona investimentos
Para o presidente da Absolar, Rodrigo Sauaia, a combinação entre o aumento das tarifas de energia e a redução do custo dos sistemas fotovoltaicos tem estimulado cada vez mais consumidores a investir na tecnologia.
Embora o investimento inicial ainda seja considerado elevado, a economia proporcionada pela geração própria de energia torna o sistema financeiramente atrativo. Atualmente, a instalação de um sistema residencial custa, em média, R$ 25 mil, enquanto projetos voltados para indústrias podem alcançar cerca de R$ 200 mil.
Segundo a entidade, a tendência é de que os custos continuem diminuindo nos próximos anos, reduzindo o prazo de retorno do investimento e ampliando o acesso à tecnologia.
Energia limpa contribui para reduzir emissões
Além da economia financeira, a energia solar também desempenha papel importante na preservação ambiental.
Por utilizar uma fonte renovável e não emitir gases poluentes durante a geração de eletricidade, a tecnologia é considerada uma das alternativas mais sustentáveis da matriz energética brasileira.
Dados da Absolar apontam que a produção de energia solar já evitou a emissão de aproximadamente 28 milhões de toneladas de dióxido de carbono (CO₂) na atmosfera.
Setor movimenta investimentos e gera empregos
O crescimento da energia solar também tem impulsionado a economia brasileira. Desde 2012, o setor atraiu cerca de R$ 10 bilhões em investimentos, segundo a Absolar.
A expansão da atividade resultou ainda na criação de aproximadamente 640 mil empregos em diferentes segmentos da cadeia produtiva, além de gerar quase R$ 40 bilhões em arrecadação para os cofres públicos.
Com a expectativa de novos investimentos, redução contínua dos custos dos equipamentos e ampliação da geração distribuída, o setor projeta manter um ritmo acelerado de crescimento, fortalecendo a participação da energia solar na matriz energética do país nos próximos anos.
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