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Home MEIO AMBIENTE

Produção indígena de castanha-da-amazônia conquista remuneração por preservar a floresta

Redação por Redação
30 de julho de 2026
em DESTAQUE, MEIO AMBIENTE
Tempo de leitura: 4 minutos de leitura
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Produção indígena de castanha-da-amazônia conquista remuneração por preservar a floresta

Foto: Joze Medeiros

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MEIO AMBIENTE – Pela primeira vez, comunidades da Terra Indígena Rio Branco, em Rondônia, recebem pagamento por serviços ambientais, reconhecendo a preservação da Amazônia aliada à produção sustentável.

A produção de castanha-da-amazônia realizada por comunidades indígenas da Terra Indígena Rio Branco, em Rondônia, alcançou um marco inédito na safra 2025/2026. Além do valor obtido com a comercialização do produto, os extrativistas passaram a receber pagamento por serviços ambientais (PSA), reconhecimento financeiro destinado às comunidades que contribuem para a conservação da floresta, da biodiversidade e dos ecossistemas amazônicos.

A iniciativa foi viabilizada por meio de uma parceria entre a empresa Castanhas Ouro Verde Importação e Exportação Ltda. e a Cooperativa dos Povos Indígenas do Rio Branco (Coopirb), dentro das ações do projeto NewCast, coordenado pela Empresa Brasileira de Pesquisa Agropecuária (Embrapa).

Projeto busca agregar valor à produção

O projeto NewCast tem como objetivo desenvolver soluções tecnológicas, organizacionais e comerciais capazes de fortalecer a cadeia produtiva da castanha-da-amazônia, promovendo maior valorização do produto e ampliando as oportunidades de geração de renda para as comunidades extrativistas.

De acordo com a coordenadora do projeto e pesquisadora da Embrapa Meio Ambiente, Patrícia da Costa, a experiência demonstra que a combinação entre inovação, organização comunitária e mecanismos de valorização econômica fortalece as organizações locais e reconhece o trabalho das populações que preservam a floresta.

A União Nacional das Cooperativas da Agricultura Familiar e Economia Solidária (Unicafes) também participou das negociações entre a cooperativa indígena e a empresa compradora, contribuindo para ampliar o diálogo comercial e fortalecer a representação dos produtores.

Produção indígena de castanha-da-amazônia conquista remuneração por preservar a floresta
Foto: Ronaldo Rosa

Boas práticas elevam qualidade da castanha

Outro fator decisivo para a valorização da produção foi a adoção das Boas Práticas recomendadas pela Embrapa. As orientações abrangem todas as etapas do processo produtivo, desde a coleta dos frutos até o transporte, lavagem, seleção, pré-secagem e armazenamento, reduzindo perdas e minimizando riscos de contaminação.

Segundo o extrativista indígena Dalton Tupari, a adoção dessas técnicas aumentou a qualidade do produto e fortaleceu a negociação com o mercado.

“Essas recomendações nos ajudam ao longo de todo o processo, desde a coleta até a entrega do produto. É um diferencial a mais porque agrega qualidade à castanha, que já tem como vantagem o fato de estar associada à conservação da floresta”, afirmou.

Nesta safra, a Coopirb comercializou aproximadamente sete toneladas de castanha-da-amazônia, já contempladas com o pagamento adicional pelos serviços ambientais.

Para Dalton Tupari, a iniciativa representa o reconhecimento do papel desempenhado pelas comunidades indígenas na preservação da Amazônia.

“É uma valorização do nosso trabalho. Nós coletamos, preservamos a natureza e recebemos um valor diferenciado por isso. Isso mostra que conservar a floresta também gera renda para as famílias.”

Pagamento adicional fortalece comunidades

O acordo firmado entre a Castanhas Ouro Verde e a Coopirb contempla comunidades indígenas de diferentes etnias distribuídas em uma área de aproximadamente 236 mil hectares.

Além da remuneração pela venda da castanha, o contrato estabelece um pagamento extra correspondente a 20% do valor comercial, destinado à cooperativa como reconhecimento pelos serviços ambientais prestados.

Os recursos são administrados coletivamente e podem ser aplicados em investimentos voltados para infraestrutura, saúde, educação, fortalecimento cultural e melhorias na produção, beneficiando diretamente as famílias indígenas.

Cooperativismo amplia oportunidades

A experiência também reforça a importância do cooperativismo na organização da produção extrativista. Por meio da Coopirb, as comunidades conseguem reunir a produção, padronizar procedimentos, fortalecer a gestão comercial e ampliar o poder de negociação junto aos compradores.

A parceria evidencia ainda o papel de empresas comprometidas com práticas sustentáveis, que valorizam produtos originados da floresta e reconhecem o impacto positivo das comunidades na conservação ambiental.

Modelo une desenvolvimento e preservação

Com validade para a safra 2025/2026, o acordo firmado entre a cooperativa indígena e a empresa representa um avanço na construção de modelos de negócios sustentáveis voltados aos produtos da sociobiodiversidade amazônica.

A iniciativa demonstra que é possível aliar geração de renda, valorização dos povos indígenas, conservação da floresta e desenvolvimento econômico, fortalecendo uma cadeia produtiva baseada na sustentabilidade e no reconhecimento dos serviços ambientais prestados pelas comunidades.

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*Com informações Embrapa

Leia também:

FAS promove debate gratuito sobre caminhos para o desmatamento zero e ação climática na Amazônia nesta quinta

 

Tags: Amazôniacastanha amazônicacastanha da amazôniaConservação da florestaCoopirbEmbrapaextrativismo sustentávelNewCastpagamento por serviços ambientaispovos indígenas

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