Bioeconomia – Murici, camu-camu, babaçu e outros da biodiversidade amazônica começam a ganhar espaço no mercado e despertar o interesse da indústria de alimentos, cosméticos e produtos naturais. Apesar do potencial econômico e nutricional, o principal desafio da bioeconomia na Amazônia ainda é garantir produção em escala com regularidade e qualidade.
Conhecido pelo sabor intenso e levemente ácido, o murici é um dos frutos que vêm atraindo atenção de consumidores e empresas. Já o camu-camu se destaca pelo alto teor de vitamina C e pela acidez característica, enquanto o babaçu possui aplicações que vão da alimentação à indústria cosmética.
Para enfrentar os gargalos da cadeia produtiva, iniciativas baseadas em tecnologia e dados vêm sendo utilizadas para melhorar a organização do setor. Um dos exemplos é a Plataforma Digital da Floresta, desenvolvida pelo Instituto CERTI Amazônia, que reúne informações sobre clima, produção, logística e rastreabilidade de mais de 30 cadeias da sociobiodiversidade amazônica.
A proposta é reduzir a imprevisibilidade da produção e facilitar a conexão entre cooperativas, produtores e empresas interessadas em matérias-primas da floresta.
Segundo o diretor do Instituto CERTI Amazônia, Marco Giagio, o interesse do mercado por sabores naturais e alimentos funcionais cresce continuamente, impulsionando a demanda por ingredientes amazônicos.
Mesmo com esse cenário positivo, a bioeconomia regional ainda enfrenta desafios estruturais, como dificuldades logísticas, baixo acesso à internet em comunidades produtoras, pouca capacidade de processamento e limitações financeiras de cooperativas e associações.
Esses obstáculos dificultam a oferta contínua de produtos como murici, bacaba e camu-camu em escala suficiente para atender grandes mercados consumidores.
Ferramentas de rastreabilidade e monitoramento também se tornam fundamentais em um mercado cada vez mais conectado às práticas ESG, permitindo acompanhar a origem dos produtos desde a coleta até a entrega final.
Apesar dos avanços, especialistas avaliam que o potencial da bioeconomia amazônica ainda é muito maior do que os resultados atualmente alcançados, especialmente pela baixa presença dessas tecnologias em regiões mais distantes da Amazônia.
Foto: reprodução
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