BIOECONOMIA – Muito além do espetáculo apresentado na arena do Bumbódromo, o Festival Folclórico de Parintins movimenta uma extensa cadeia produtiva responsável pela geração de emprego, renda e valorização da cultura amazônica. Um estudo realizado pela Universidade Federal do Amazonas (UFAM) aponta que o artesanato regional desempenha papel fundamental na economia local, garantindo sustento para centenas de famílias e impulsionando o mercado da moda durante a temporada folclórica.
A pesquisa, desenvolvida pelo acadêmico Egilson da Silva Rocha, do curso de Administração da UFAM, revela que o mês de junho representa o principal período de faturamento para a maioria dos artesãos da Ilha Tupinambarana.
De acordo com o levantamento, 76,4% dos profissionais concentram suas vendas praticamente exclusivamente durante o período do festival, fenômeno conhecido entre os trabalhadores do setor como “Junho Ouro”. Outros 11,8% complementam a renda ao longo do ano com a comercialização de produtos para turistas que desembarcam em cruzeiros internacionais que visitam o município.
Artesanato garante renda e fortalece comunidades
Segundo o estudo, a atividade artesanal gera uma renda familiar média mensal entre R$ 1.500 e R$ 2.000 para grande parte das famílias que dependem diretamente da produção e venda de peças regionais.
O impacto econômico alcança comunidades urbanas, ribeirinhas e indígenas, fortalecendo a economia criativa e contribuindo para a manutenção de tradições culturais que atravessam gerações.
Mercado da moda aquece com a temporada dos bois
Em Manaus, o artesanato inspirado na cultura dos bois-bumbás também ganhou espaço no mercado da moda e do design autoral. Biojoias, cocares, acessórios e roupas artesanais se transformaram em itens desejados por turistas, influenciadores e admiradores da cultura amazonense.
A artesã Marília Bezerra é um exemplo desse crescimento. Formada pela UFAM, ela transformou o hobby em profissão e hoje vive exclusivamente da produção artesanal.
Segundo a empreendedora, o período que antecede o Festival de Parintins pode aumentar em até 30% a renda familiar, impulsionado pela alta demanda por peças exclusivas.
“O volume de encomendas cresce significativamente. Em alguns períodos, trabalhamos praticamente sem interrupções para atender os pedidos”, relata.
Peças exclusivas podem ultrapassar R$ 1,5 mil
Os valores dos produtos variam de acordo com a complexidade da confecção, os materiais utilizados e o tempo de produção.
Entre os itens mais procurados estão:
- Brincos artesanais: a partir de R$ 50;
- Coletes personalizados: entre R$ 380 e R$ 400;
- Acessórios produzidos com escamas de peixe: até R$ 850;
- Vestidos confeccionados com miçangas e técnicas de tear: entre R$ 1.200 e R$ 1.500.
As peças mais elaboradas podem exigir até seis dias de trabalho manual, envolvendo processos detalhados de montagem e acabamento.
Redes sociais ampliam valorização do artesanato
O crescimento da procura por biojoias e acessórios inspirados na cultura amazônica também tem sido impulsionado pelas redes sociais e pela visibilidade conquistada por personalidades ligadas ao Festival de Parintins.
Figuras como a cunhã-poranga do Garantido, Isabelle Nogueira, e a cunhã do Caprichoso, Marciele Albuquerque, influenciam tendências e ajudam a fortalecer o mercado de artesanato regional.
Segundo artesãos do setor, acessórios inspirados nos estilos utilizados pelas influenciadoras estão entre os mais procurados pelos consumidores durante a temporada folclórica.
Geração de empregos acompanha crescimento do setor
O aumento da demanda também tem ampliado a geração de empregos temporários e permanentes nos ateliês. Muitos artesãos passaram a contratar auxiliares para atender o volume crescente de encomendas, fortalecendo ainda mais a economia criativa vinculada ao Festival de Parintins.
Além de movimentar milhões de reais durante o período folclórico, o artesanato se consolida como uma ferramenta de valorização cultural, inclusão produtiva e desenvolvimento sustentável para comunidades amazônicas.
*Com informações Portal Amazônia
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