BIOECONOMIA – Da coleta da castanha-do-brasil realizada por famílias extrativistas ao manejo sustentável do pirarucu desenvolvido por comunidades ribeirinhas, a sociobiodiversidade amazônica segue desempenhando papel estratégico na geração de renda, conservação ambiental e fortalecimento das economias locais.
Com o objetivo de ampliar oportunidades para comunidades tradicionais, indígenas e agricultores familiares, o Sebrae Amazonas e o Instituto Brasileiro de Desenvolvimento e Sustentabilidade (IABS) iniciaram a execução do plano de trabalho do Acordo de Cooperação Técnica firmado entre as instituições. A iniciativa contempla uma série de ações voltadas ao fortalecimento das cadeias produtivas da castanha-do-brasil e do pirarucu manejado em diversos municípios do Amazonas.
O plano foi formalizado após a assinatura do acordo, realizada em maio, e prevê iniciativas voltadas à qualificação de produtores, empreendedorismo de base comunitária, inovação, regularização produtiva e ampliação do acesso a mercados.
Castanha e pirarucu são prioridades
As ações serão desenvolvidas em áreas atendidas pelo Projeto Rural Sustentável Amazônia (PRS-Amazônia), iniciativa que apoia organizações socioprodutivas formadas por agricultores familiares, extrativistas, povos indígenas e comunidades tradicionais.
Entre as medidas previstas está a contratação de consultoria especializada para estruturar o pedido de registro da Indicação Geográfica (IG) da Castanha de Tefé, iniciativa que poderá ampliar o reconhecimento do produto e agregar valor nos mercados nacional e internacional.
O plano também inclui cursos de operação de drones para monitoramento territorial e apoio ao manejo sustentável do pirarucu, mutirões de regularização documental, capacitações sobre aproveitamento econômico dos ouriços da castanha e participação de empreendedores comunitários em eventos de promoção comercial.
Capacitações e regularização beneficiam produtores
Entre as metas estabelecidas pela parceria estão a realização de cinco cursos de operador de drone, beneficiando cerca de 80 manejadores de pirarucu, além de cinco mutirões de regularização voltados a aproximadamente 200 agricultores familiares e pescadores artesanais.
As ações incluem ainda a capacitação de 50 comunitários envolvidos na cadeia produtiva da castanha-do-brasil, fortalecendo a gestão dos empreendimentos e ampliando oportunidades de comercialização.
Segundo os organizadores, a proposta busca aumentar a competitividade das organizações locais e criar condições para que os produtos da floresta alcancem maior valor agregado.
Desenvolvimento aliado à conservação
Para o gestor de Políticas Públicas do Sebrae Amazonas, José Antônio Cardoso Fonseca, as cadeias produtivas da castanha e do pirarucu demonstram que é possível promover desenvolvimento econômico aliado à preservação ambiental.
Segundo ele, a parceria contribuirá para fortalecer negócios comunitários, ampliar mercados e valorizar quem produz e conserva os recursos naturais da Amazônia.
A iniciativa também busca enfrentar desafios históricos enfrentados por organizações da sociobiodiversidade, como acesso à assistência técnica, qualificação profissional, regularização produtiva e inovação tecnológica.
Missão acompanha resultados em Tefé e Maraã
Parte dos resultados já pôde ser observada durante missão institucional realizada nos municípios de Tefé e Maraã, que reuniu representantes de instituições nacionais e internacionais para conhecer experiências apoiadas pelo PRS-Amazônia.
Durante a visita, foram apresentadas iniciativas como um viveiro comunitário com capacidade para produzir até 10 mil mudas de castanheira por ano, contribuindo para o enriquecimento florestal e o fortalecimento da cadeia da castanha-do-brasil.
Os participantes também conheceram uma embarcação destinada ao transporte da produção de pirarucu manejado, estrutura que reduz custos logísticos e amplia a renda das famílias envolvidas na atividade.
A expectativa é que as ações fortaleçam a governança comunitária, ampliem a geração de renda e consolidem modelos de desenvolvimento sustentável baseados na valorização dos recursos da floresta e das populações tradicionais da Amazônia.
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