TRANSIÇÃO ENERGÉTICA – O mercado global de veículos elétricos segue em trajetória de crescimento e deve atingir um novo recorde em 2026. Segundo projeções da BloombergNEF (BNEF), mais de 23 milhões de carros elétricos de passeio serão comercializados em todo o mundo neste ano, representando um aumento de 11% em relação a 2025.
Com esse desempenho, os veículos elétricos devem responder por 27% de todos os automóveis vendidos globalmente. O avanço reforça a tendência de eletrificação da mobilidade, impulsionada por fatores como redução dos custos das baterias, lançamento de modelos mais acessíveis e ampliação da demanda em mercados emergentes.
Mais da metade dos carros será elétrica até 2035
O relatório aponta que a participação dos veículos elétricos continuará crescendo nos próximos anos. A expectativa é que, até 2035, os modelos movidos a bateria representem 52% das vendas globais de veículos de passageiros.
A projeção evidencia uma transformação significativa no setor automotivo, que tem acelerado investimentos em tecnologias voltadas à mobilidade sustentável e à redução das emissões de carbono.
China lidera a revolução elétrica
A China permanece como o principal mercado mundial para veículos elétricos, tanto em vendas internas quanto em exportações.
Atualmente, os automóveis elétricos representam cerca de 64% das vendas de veículos no mercado chinês, consolidando o país como referência global na transição energética do setor automotivo.
Além da liderança industrial, a competitividade das fabricantes chinesas tem contribuído para a expansão da eletrificação em diversos mercados internacionais.
Mercados emergentes ganham protagonismo
O estudo mostra que alguns países emergentes já apresentam índices de adoção de veículos elétricos superiores aos registrados nos Estados Unidos.
Em Singapura, quase metade dos carros vendidos em 2025 eram elétricos. No Vietnã, os modelos eletrificados representaram 39% das vendas, enquanto na Tailândia a participação chegou a 27%.
Na Turquia, as vendas de veículos elétricos mais que dobraram em apenas um ano, alcançando 22% do mercado automotivo local.
Segundo a BloombergNEF, fatores como a busca por menor dependência de combustíveis fósseis, políticas industriais voltadas à eletrificação e maior abertura às montadoras chinesas explicam esse crescimento.
Europa reduz diferença de preços
Na Europa, a competitividade dos veículos elétricos também avançou nos últimos anos.
Em mercados como Alemanha, Itália e Reino Unido, os carros elétricos eram, em média, 34% mais caros que modelos equivalentes movidos a combustão em 2024. Atualmente, essa diferença caiu para cerca de 17%.
Apesar da redução, especialistas apontam que a indústria europeia ainda enfrenta desafios relacionados à concorrência com fabricantes chinesas, que operam com custos de produção mais baixos.
Crescimento segue forte, mas ritmo desacelera
Embora as perspectivas continuem positivas, a BloombergNEF revisou para baixo suas projeções de crescimento pelo segundo ano consecutivo.
A desaceleração é atribuída principalmente à maturação do mercado chinês e à expectativa de queda nas vendas nos Estados Unidos, onde a retirada de incentivos governamentais para veículos elétricos deverá impactar a demanda.
A previsão é que as vendas de elétricos no mercado norte-americano recuem 19%, fazendo com que apenas 24% da frota do país seja eletrificada até 2040.
Demanda por energia exigirá investimentos bilionários
O avanço dos veículos elétricos também deverá provocar mudanças significativas no setor energético.
De acordo com a BloombergNEF, a frota elétrica mundial consumiu cerca de 367 terawatts-hora (TWh) de eletricidade em 2025. Até 2040, esse consumo poderá alcançar 2.700 TWh.
Para atender à nova demanda, serão necessários investimentos superiores a US$ 800 bilhões em infraestrutura elétrica, incluindo geração, transmissão e distribuição de energia.
O cenário reforça que a transição para a mobilidade elétrica dependerá não apenas da expansão da indústria automotiva, mas também da modernização das redes energéticas em todo o mundo.
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