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Home MEIO AMBIENTE

Pesquisa da Nature aponta risco de colapso gradual da Amazônia até o fim do século

Redação por Redação
17 de julho de 2026
em DESTAQUE, MEIO AMBIENTE
Tempo de leitura: 3 minutos de leitura
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Pesquisa da Nature aponta risco de colapso gradual da Amazônia até o fim do século

Foto: Marizilda Cruppe/Greenpeace

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MEIO AMBIENTE – A Amazônia pode enfrentar um processo de degradação irreversível antes do fim do século XXI caso o ritmo de emissão de gases de efeito estufa permaneça elevado. O alerta é de um estudo publicado na revista científica Communications Earth & Environment, do grupo Nature, que analisou diferentes projeções climáticas e os impactos das mudanças ambientais sobre a maior floresta tropical do planeta.

Assinada por oito pesquisadores, a pesquisa utilizou 12 Modelos do Sistema Terrestre (ESMs), ferramentas computacionais capazes de simular o comportamento do clima e dos ecossistemas. Em nove desses modelos, os cientistas identificaram indícios de que a Amazônia poderá iniciar um processo conhecido como dieback, expressão usada para definir a perda gradual da capacidade da floresta de se manter como um ecossistema tropical.

Segundo o estudo, esse colapso não ocorreria de forma repentina. A degradação seria lenta, podendo se estender por décadas ou até séculos, mas com impactos significativos sobre o clima, a biodiversidade e o equilíbrio ambiental.

Aquecimento global é o principal fator de risco

De acordo com os pesquisadores, o aumento da temperatura é o principal fator responsável pelo enfraquecimento da floresta na maioria das simulações realizadas. A redução das chuvas também contribui para esse processo, especialmente em regiões que já sofrem com o avanço do desmatamento.

Os cientistas identificaram que o risco de degradação aumenta quando determinadas áreas da Amazônia passam a registrar temperaturas superiores a aproximadamente 32°C e índices anuais de chuva inferiores a 1.394 milímetros. Embora esses valores variem entre os modelos climáticos analisados, eles servem como referência para identificar condições consideradas críticas para a manutenção da floresta.

Desmatamento acelera perda de resiliência

O estudo também aponta que o desmatamento potencializa os efeitos das mudanças climáticas. A substituição da vegetação nativa por áreas de pastagem e agricultura reduz a reciclagem natural da umidade, responsável por grande parte das chuvas na própria Amazônia.

Com menos evapotranspiração, ocorre redução da formação de nuvens, aumento das temperaturas e intensificação dos períodos de seca, criando um ciclo que favorece incêndios florestais e amplia a vulnerabilidade do bioma.

Em alguns cenários analisados, os pesquisadores observaram que a degradação da floresta pode ocorrer mesmo em áreas preservadas, apenas em decorrência das mudanças climáticas. Em outros casos, a combinação entre aquecimento global e alteração no uso do solo acelera ainda mais esse processo.

Impactos podem atingir toda a América do Sul

Além dos efeitos sobre a floresta, a pesquisa indica que um eventual colapso da Amazônia poderá provocar mudanças na circulação atmosférica e alterar o regime de chuvas em diferentes regiões da América do Sul.

Os modelos climáticos apontam para redução das precipitações em parte da bacia amazônica e mudanças na distribuição das chuvas em outras áreas do continente, com reflexos sobre a agricultura, a disponibilidade de água e os ecossistemas.

Outro impacto destacado é que a Amazônia poderá deixar de atuar como um importante sumidouro de carbono — responsável por absorver parte do dióxido de carbono da atmosfera — e passar, temporariamente, a emitir mais carbono, intensificando o aquecimento global.

Cenário ainda pode ser evitado

Apesar do alerta, os autores destacam que as projeções representam cenários de altas emissões de gases de efeito estufa, considerados os mais pessimistas pela comunidade científica.

Segundo os pesquisadores, ainda há possibilidade de evitar esse cenário por meio da redução das emissões globais, do combate ao desmatamento e da adoção de políticas públicas voltadas à preservação da floresta.

O estudo também defende investimentos no aprimoramento dos modelos climáticos para ampliar a capacidade de prever os impactos ambientais e orientar estratégias de conservação.

Os autores ressaltam que proteger a Amazônia é essencial não apenas para preservar sua biodiversidade, mas também para manter o equilíbrio climático do planeta e o ciclo global do carbono.

“O estudo destaca a maior vulnerabilidade da Amazônia às mudanças climáticas, especialmente em cenários de aquecimento que elevam as condições climáticas locais além da tolerância fisiológica dos ecossistemas das florestas tropicais. Diante dos resultados, é necessária uma ação política urgente para limitar o aquecimento global.

O estudo completo pode ser acessado aqui https://www.nature.com/articles/s43247-025-02606-5.pdf

 

Leia também:

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Tags: AmazôniaAmazônia 2100aquecimento globalBiodiversidadeCommunications Earth & EnvironmentDesmatamentoefeito estufaEmissões de carbonoFloresta Amazônicamudanças climáticasNatureponto de não retorno

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