MEIO AMBIENTE – O Rio Negro pode voltar a registrar níveis próximos aos das secas históricas de 2023 e 2024 durante o período de vazante deste ano. O alerta foi divulgado pelo Serviço Geológico do Brasil (SGB), que aponta a possibilidade de uma estiagem severa em Manaus caso as condições climáticas sigam padrões semelhantes aos observados nos últimos anos.
As projeções, divulgadas na sexta-feira (26), foram elaboradas com base no histórico de medições do Rio Negro entre os anos de 1903 e 2025. O estudo considera a cota máxima alcançada durante a cheia e diferentes comportamentos de descida registrados ao longo da série histórica.
Cenário mais crítico prevê nível de 12,90 metros
No cenário considerado mais severo, o Rio Negro poderá atingir a marca de 12,90 metros, ficando muito próximo das menores cotas já registradas em Manaus.
Os recordes históricos de vazante na capital são:
- 12,66 metros, em 2024;
- 12,70 metros, em 2023;
- 13,63 metros, em 2010.
Além desse cenário extremo, o Serviço Geológico também projeta outras possibilidades. Em caso de uma estiagem severa, o rio pode chegar a 13,96 metros. Já se a vazante seguir comportamento semelhante ao registrado em 2015, considerado um ano crítico, a cota poderá atingir 14,76 metros.
Curva de descida preocupa especialistas
Segundo o SGB, o alerta foi emitido porque a curva inicial de descida do Rio Negro apresenta características semelhantes às observadas em 2023, quando Manaus enfrentou a segunda maior seca da história.
Apesar disso, o órgão ressalta que os modelos climáticos mais recentes ainda não apontam, neste momento, uma estiagem tão extrema quanto a registrada naquele ano.
El Niño pode acelerar vazante
Para o pesquisador do Instituto Nacional de Pesquisas da Amazônia (Inpa), Renato Senna, a evolução do fenômeno El Niño poderá influenciar diretamente o comportamento dos rios nos próximos meses.
“O início do El Niño no segundo semestre pode provocar uma queda bastante acentuada e rápida nos níveis dos rios. Esse é o principal fator de preocupação”, afirmou o pesquisador.
O El Niño é caracterizado pelo aquecimento das águas superficiais do Oceano Pacífico Equatorial. O fenômeno altera os padrões climáticos em diversas regiões do planeta e, na Amazônia, costuma reduzir o volume de chuvas, favorecendo períodos de seca mais prolongados e intensos.
Especialistas seguem monitorando diariamente o comportamento do Rio Negro para avaliar a evolução da vazante ao longo dos próximos meses.
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