Transição Energética – O mercado brasileiro de armazenamento de energia está próximo de um marco histórico. Com a retomada das discussões regulatórias pela Agência Nacional de Energia Elétrica (ANEEL) e a expectativa de lançamento do primeiro leilão nacional de baterias pelo Governo Federal, o setor vê a possibilidade de destravar investimentos e acelerar a transição energética no país.
Apesar de possuir uma das matrizes energéticas mais limpas do mundo e de a energia solar já ocupar a posição de segunda maior fonte em potência instalada, o Brasil ainda não conseguiu desenvolver plenamente o mercado de armazenamento. Segundo estimativas da Associação Brasileira de Soluções de Armazenamento de Energia (ABSAE), existem atualmente cerca de 18 gigawatts (GW) em projetos de baterias prontos para implantação, com terrenos definidos, estudos concluídos e capital disponível.
Especialistas apontam que o principal obstáculo não é tecnológico nem financeiro, mas regulatório.
Baterias são fundamentais para o avanço das energias renováveis
O crescimento da geração solar trouxe um novo desafio para o sistema elétrico brasileiro. Enquanto a produção de energia atinge seu pico durante o dia, especialmente ao meio-dia, o maior consumo ocorre no início da noite, entre 18h e 21h.
Esse descompasso gera desperdício de energia renovável em determinados horários e aumenta a necessidade de fontes mais caras e poluentes para atender à demanda noturna.
As baterias surgem como uma solução estratégica ao permitir o armazenamento da energia produzida durante o dia para utilização nos momentos de maior consumo. Além de reduzir desperdícios, a tecnologia contribui para a estabilidade da rede elétrica e amplia a capacidade de integração de fontes renováveis.
O potencial do setor é expressivo. O Plano Decenal de Expansão de Energia 2035 projeta cerca de 10 GW de capacidade entre armazenamento e resposta da demanda nos próximos anos, movimentando investimentos que podem ultrapassar R$ 200 bilhões na próxima década.
Nova legislação abriu caminho para o armazenamento
Em novembro de 2025, a Lei nº 15.269 reconheceu oficialmente o armazenamento de energia como uma atividade própria do setor elétrico brasileiro. A medida permitiu criar bases legais para que sistemas de baterias obtenham autorizações, comercializem energia e sejam remunerados pelos serviços prestados ao sistema.
No entanto, o setor ainda aguarda a regulamentação complementar por parte da ANEEL e do Ministério de Minas e Energia, considerada essencial para viabilizar novos projetos.
Um dos pontos mais debatidos é a chamada “tarifa dupla”, que trata da cobrança pelo uso das redes de transmissão e distribuição. A discussão gira em torno da possibilidade de as baterias serem tarifadas tanto quando armazenam energia quanto quando devolvem essa energia ao sistema.
A definição desse tema é considerada decisiva para a viabilidade econômica de diversos empreendimentos e tem sido acompanhada de perto por investidores e empresas do segmento.
Setor aguarda definições para acelerar investimentos
Além da questão tarifária, especialistas defendem que a regulação precisa estabelecer de forma clara a natureza jurídica dos sistemas de armazenamento.
Diferentemente das usinas convencionais, as baterias podem atuar simultaneamente como consumidoras, geradoras e prestadoras de serviços ao sistema elétrico. Essa característica exige um tratamento regulatório específico para garantir segurança jurídica e previsibilidade aos investimentos.
Com a retomada das discussões na ANEEL e a expectativa de publicação da portaria do primeiro leilão nacional de baterias nos próximos dias, o mercado acredita que o Brasil está próximo de iniciar uma nova fase na expansão da infraestrutura energética.
A expectativa é que a combinação entre fontes renováveis e sistemas de armazenamento fortaleça a segurança energética do país, reduza desperdícios e amplie a eficiência do sistema elétrico nacional.
Foto: reprodução Chatgpt
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