Destaque – Pesquisadores do Amazonas descobriram duas novas espécies de sapos (Allobates sp. e Pristimantins sp.) e uma possível nova espécie de bactéria produtora de mucilagem (Mucilaginibacter sp.), que estão associadas às posturas de ovos de sapos ao longo da rodovia BR-319. A pesquisa feita no âmbito do Programa de Pesquisas Ecológicas de Longa Duração (Peld) conta com apoio do Governo do Amazonas, por meio da Fundação de Amparo à Pesquisa do Estado do Amazonas (Fapeam), em parceria com o Conselho Nacional de Desenvolvimento Científico e Tecnológico (CNPq).
O projeto intitulado Peld Sudoeste do Amazonas (Psam) é desenvolvido por pesquisadores do Instituto Nacional de Pesquisas da Amazônia (Inpa) e buscou compreender os processos ecossistêmicos, as interações biológicas e os impactos das atividades humanas sobre a biodiversidade no sudoeste da Amazônia.
Entre os organismos encontrados, desde 2020, estão herbáceas, morcegos, fungos, formigas, borboletas, peixes, anfíbios, répteis, aves e insetos. Alguns grupos estudados encontrados no interflúvio Purus-Madeira estão passando por uma fase de testes inédita para identificação de espécies, por meio de tecnologias de baixo custo. Esse processo inclui o uso do equipamento NIR (Near Infrared Spectroscopy), que permite a identificação autônoma e precisa das espécies, tornando o processo taxonômico mais eficiente e ágil.
Os estudos foram realizados por meio de seis módulos Rapeld (Rapid Assessment of Biodiversity in Long-Term Ecological Research), distribuídos de forma perpendicular à rodovia BR-319, no Amazonas e em Rondônia, o que permitiu avaliar, com precisão, os efeitos da estrada sobre a fauna, a flora e as variáveis ambientais.
A pesquisa é coordenada pelo doutor em Ciências Biológicas William Ernest Magnusson, do Inpa, e amparada via Chamada Pública nº 021/2020, articulada pelo Confap, com o Ministério da Ciência, Tecnologia e Inovações (MCTI), CNPq, e a Fapeam.
Os resultados foram divulgados em 20 artigos publicados em periódicos científicos, 6 livros, 4 livros traduzidos em línguas de etnias indígenas Mura-Pirahã e Tupi-Kagwahiva, e 14 trabalhos apresentados em eventos científicos.
Módulos de Rapeld
Os módulos de Rapeld são revisitados periodicamente por equipes multidisciplinares, que realizam coletas padronizadas e comparáveis a outras regiões da Amazônia e do Brasil. A metodologia garante análises em diferentes escalas espaciais e temporais.
“O intuito da pesquisa é compreender questões relacionadas às mudanças da biodiversidade ao longo do tempo, além de abordar temas mais acessíveis à pesquisa brasileira, como eventos de alteração no uso e cobertura da terra ou a delimitação da distribuição espacial de espécies. Essa capacidade de avaliar as mudanças da biodiversidade no tempo e no espaço é o que torna os Pelds tão importantes para a produção científica brasileira”, destacou William Magnusson.
Experimentos ecológicos
O projeto busca incorporar as comunidades locais das áreas onde é desenvolvido, promovendo o engajamento por meio do envolvimento de ajudantes que conhecem e compreendem a região. Além disso, contribui para a produção científica no interior do Amazonas.
Em 2024, foi conduzido um experimento com formigas para avaliar a atratividade do sódio. Os resultados foram transformados em artigos educativos que explicam o papel ecológico do sódio na nutrição mineral de espécies neotropicais, contribuindo para a popularização da ciência.
Apoio da Fapeam
O apoio da Fapeam é considerado essencial para a execução do Peld Psam. O financiamento viabiliza expedições de campo, integra pesquisas relacionadas à BR-319 e fortalece a presença científica em uma região historicamente pouco estudada.
Além dos recursos, a flexibilidade administrativa da Fundação facilita a contratação de serviços locais e a inclusão da mão-de-obra regional, promovendo transferência de conhecimento e fortalecimento das comunidades envolvidas.
Ao unir ciência de longo prazo, tecnologia, participação social e produção de dados estratégicos, o Peld Psam consolida-se como uma das principais iniciativas para compreender e proteger a biodiversidade do sudoeste da Amazônia em um momento decisivo para o futuro da região.
Sobre o Peld
O Peld tem o objetivo de apoiar financeiramente projetos de rede de sítios de pesquisa distribuídos nos diferentes biomas brasileiros, no desenvolvimento de projetos que abrangem estudos sobre efeitos de um amplo escopo, como, por exemplo: mudanças climáticas, perda, fragmentação e degradação de ambientes naturais, destruição de hábitats, super exploração, invasão de espécies, assim como ações de conservação e/ou restauração de ecossistemas nativos, tendo em vista a sustentabilidade ambiental.
Fotos: Divulgação/Arquivo pessoal dos pesquisadores André Luiz, Clarissa Rosa e William Magnusson
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