Bioeconomia – O artesanato indígena produzido no Acre vem ganhando destaque como uma importante alternativa de geração de renda sustentável para comunidades tradicionais, ao mesmo tempo em que fortalece a preservação cultural e os conhecimentos ancestrais dos povos originários da Amazônia.
Com apoio de iniciativas desenvolvidas pelo governo estadual e pelo Sebrae, artesãos indígenas passaram a contar com ações voltadas à qualificação profissional, ampliação da comercialização e valorização das produções tradicionais. O fortalecimento do setor tem impulsionado a chamada economia da floresta, baseada no uso sustentável dos recursos naturais e na preservação ambiental.
As peças artesanais são produzidas com matérias-primas da floresta, como sementes, fibras, palha, madeira, látex, murumuru e tucumã. Além do valor econômico, os produtos carregam elementos culturais, espirituais e históricos ligados aos territórios indígenas e aos modos de vida tradicionais.
A artesã indígena Amélia Marubo explica que aprendeu o ofício ainda na infância, com a mãe e a avó, mantendo viva uma tradição transmitida entre gerações. Atualmente, ela coordena um grupo de mulheres da família que produz peças artesanais utilizando materiais coletados de forma sustentável na floresta.

O trabalho ganhou projeção nacional após uma parceria com a marca Arezzo, que utilizou materiais produzidos pelas artesãs em uma coleção de calçados lançada em 2025.
Segundo lideranças indígenas, o artesanato também tem fortalecido a autonomia financeira das mulheres nas aldeias e ampliado o orgulho cultural entre os povos originários. Além disso, especialistas apontam que a atividade ajuda a preservar línguas indígenas, grafismos tradicionais e conhecimentos ancestrais.
O crescimento da procura por peças indígenas levou o artesanato acreano para feiras nacionais, lojas especializadas e plataformas digitais. Apenas em 2025, a Casa do Artesanato Acreano movimentou mais de R$ 443 mil em vendas, reunindo produtos de cerca de 130 artesãos.
Apesar do avanço, os produtores ainda enfrentam desafios relacionados à atuação de atravessadores, que revendem as peças com alto valor agregado sem garantir remuneração justa às comunidades indígenas.
Projetos ligados à bioeconomia amazônica, como o Artesanato Florestal, também vêm incentivando o uso sustentável de resíduos do manejo florestal e matérias-primas não madeireiras na produção de biojoias, cestarias e esculturas.
Especialistas destacam que o fortalecimento do artesanato indígena depende diretamente da preservação dos territórios tradicionais e da floresta amazônica, já que os conhecimentos e materiais utilizados fazem parte da relação histórica entre os povos originários e a natureza.
Foto: Cleiton Lopes/Secom
Foto: Alice Leão
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