Bioeconomia – A bioeconomia amazônica vem ganhando novos mercados e agregando valor aos produtos da floresta. No município de Mazagão Novo, no Amapá, uma startup aposta na produção artesanal de fermentados de frutas amazônicas para alcançar consumidores do mercado de luxo na União Europeia.
Utilizando ingredientes como açaí, taperebá, caju e cupuaçu, a empresa desenvolve bebidas premium produzidas com processos naturais e sem conservantes químicos.
O projeto nasceu a partir da iniciativa do nutricionista Grimaldo Melo, que enxergou potencial para transformar frutas típicas da Amazônia em produtos sofisticados e sustentáveis, ampliando o valor agregado da produção regional.
Produção artesanal e fermentação natural
O processo de fabricação utiliza fermentação natural com a levedura Saccharomyces cerevisiae, responsável pela conversão do açúcar em álcool durante um período que pode variar de 20 a 60 dias.
Segundo os criadores, um dos diferenciais da bebida é a ausência de aditivos químicos, garantindo um produto mais puro e alinhado às tendências globais de consumo sustentável.
Como algumas frutas amazônicas possuem baixo teor natural de açúcar, o processo recebe ajustes específicos para viabilizar a fermentação alcoólica.
Fermentados amazônicos despertam interesse do mercado
Pesquisas da Embrapa apontam que os fermentados amazônicos possuem características físico-químicas semelhantes às dos vinhos tradicionais produzidos com uvas nobres.
Especialistas em enologia identificam semelhanças entre o fermentado de açaí e vinhos elaborados a partir de variedades como Cabernet.
Além do sabor diferenciado, os produtos chamam atenção pela conexão com a identidade cultural amazônica e pelo conceito sustentável presente em toda a cadeia produtiva.
Sustentabilidade e geração de renda
A startup também atua no fortalecimento da economia local ao adquirir frutas de comunidades ribeirinhas durante períodos de entressafra do açaí, garantindo geração de renda para produtores ao longo do ano.
Outro diferencial está na reutilização de garrafas recicladas no próprio estado do Amapá. Os recipientes passam por processos de esterilização antes do envase, reduzindo impactos ambientais e evitando descarte de resíduos.
Expansão internacional
Atualmente, os fermentados já são comercializados em Macapá e enviados para outras regiões do Brasil em pequena escala.
A empresa também mantém operações voltadas à análise de mercado na Alemanha e pretende consolidar a marca no mercado europeu nos próximos anos.
O objetivo é transformar os fermentados amazônicos em símbolo internacional de sofisticação, sustentabilidade e bioeconomia da Amazônia.
*Com Informações Portal Amazõnia
Foto: Luiz Felype Santos/Rede Amazônica AP
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