Agronegócio – A produção sustentável de castanha vem se consolidando como uma importante alternativa de geração de renda e conservação da floresta no interior do Amazonas. No município de Beruri, mulheres e povos indígenas estão à frente de uma agroindústria que fortalece comunidades tradicionais, valoriza o extrativismo e promove o processamento local da matéria-prima.
A iniciativa é coordenada pela Associação dos Produtores e Beneficiadores Agroextrativistas de Beruri (Assoab), que ampliou suas atividades com a produção de óleo e derivados da castanha. O avanço tem potencial para elevar a renda de mais de 190 famílias em até 60%, sendo que mais da metade vive em quatro Terras Indígenas localizadas nos municípios de Beruri, Lábrea e Tapauá.
Fundada em 1994 por agricultores familiares, a Assoab atua desde 2006 na cadeia produtiva da castanha, envolvendo comunidades ribeirinhas, agroextrativistas e indígenas, tanto em Terras Indígenas quanto em Unidades de Conservação. O modelo adotado prioriza o diálogo direto com os produtores, a garantia de preços justos e a eliminação de intermediários, contribuindo para reduzir a dependência econômica e fortalecer a economia local.
Atualmente, as mulheres ocupam papel central na gestão e nas atividades técnicas da associação. Cerca de 65 pessoas atuam diretamente no beneficiamento da castanha, enquanto mais de 730 moradores são impactados indiretamente pelas ações da cadeia produtiva na região.

Parceria fortalece a cadeia produtiva
Desde 2018, a Assoab mantém uma parceria estratégica com a Natura, voltada ao fortalecimento da cadeia da castanha, à valorização do trabalho extrativista e à ampliação da renda das comunidades locais. A cooperação contribuiu para estruturar a produção e expandir as possibilidades de atuação da associação.
Segundo Mauro Costa, gerente sênior de Relacionamento e Abastecimento da Sociobiodiversidade da Natura, o beneficiamento local representa um avanço relevante para a cadeia produtiva amazônica. “A infraestrutura permite assegurar qualidade e rastreabilidade dos bioativos e abre espaço para novas cadeias produtivas além da castanha, como murumuru, cupuaçu e tucumã, diversificando a renda e fortalecendo a resiliência das comunidades frente a eventos climáticos”, afirmou.
Com a conclusão da estrutura, a agroindústria se prepara para iniciar as operações no primeiro trimestre de 2026, acompanhando a próxima safra da castanha. A capacidade instalada permite o beneficiamento de até 100 toneladas de matéria-prima por ano, conforme a disponibilidade dos insumos em campo.
Sustentabilidade e inovação no processo produtivo
A agroindústria da Assoab adota práticas alinhadas à economia circular e à eficiência energética. Resíduos da casca da castanha são reaproveitados como combustível para a caldeira, enquanto sistemas de captação de água da chuva integram as operações. A associação também acessou recursos para a implantação de energia fotovoltaica, atualmente em fase de implementação.
As melhorias foram viabilizadas, entre outros fatores, pelo Mecanismo de Financiamento Amazônia Viva, que mobiliza crédito e investimentos estruturantes voltados ao fortalecimento da economia local e à conservação da floresta.
No mercado da castanha no Amazonas, a Assoab foi a única associação comunitária a acessar recursos não reembolsáveis destinados à implantação de sistemas de captação de água da chuva e energia limpa. Para Angela Pinhati, diretora de Sustentabilidade da companhia parceira, as iniciativas demonstram que é possível conciliar desenvolvimento econômico e preservação ambiental.
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