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Home BIOECONOMIA

Projeto no Acre transforma frutas amazônicas em fonte de renda para famílias indígenas e ribeirinhas

Iniciativa utiliza tecnologia de liofilização para reduzir desperdícios, agregar valor à produção local e fortalecer a bioeconomia na Amazônia.

Redação por Redação
8 de junho de 2026
em BIOECONOMIA, DESTAQUE
Tempo de leitura: 3 minutos de leitura
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Projeto no Acre transforma frutas amazônicas em fonte de renda para famílias indígenas e ribeirinhas

Foto: Divulgação/Projeto Liofilização e Beneficiamento de Alimentos Orgânicos Tradicionais da Amazônia

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BIOECONOMIA – No município de Jordão, no interior do Acre, uma iniciativa inovadora vem transformando frutas amazônicas em oportunidade de renda para dezenas de famílias indígenas e ribeirinhas. O Projeto Liofilização e Beneficiamento de Alimentos Orgânicos Tradicionais da Amazônia utiliza a tecnologia da liofilização para aumentar a durabilidade dos alimentos, reduzir perdas e fortalecer a bioeconomia na região.

A ação reúne cerca de 50 famílias e foi criada a partir da necessidade de encontrar alternativas para o aproveitamento da produção local, que frequentemente enfrentava dificuldades para chegar aos mercados consumidores devido ao isolamento geográfico do município.

Localizado em uma das regiões mais remotas do Acre, Jordão possui acesso limitado por via terrestre, o que eleva os custos logísticos e dificulta o escoamento da produção agrícola. Como consequência, grande parte das frutas acabava sendo desperdiçada.

A iniciativa foi idealizada pelos médicos Marcela Thiemi Andrade Korogi e César Mancilha Carvalho Pedigone, fundadores do Instituto Flor da Floresta, organização que atua em projetos de bioeconomia, saúde e desenvolvimento social junto às comunidades tradicionais da região.

Tecnologia preserva nutrientes e amplia prazo de armazenamento

A solução encontrada foi a liofilização, um processo de desidratação realizado a frio e sob vácuo, capaz de remover até 95% da água presente nos alimentos sem comprometer significativamente suas propriedades nutricionais.

Segundo os responsáveis pelo projeto, a técnica preserva até 98% das vitaminas e antioxidantes das frutas, permitindo que os produtos sejam armazenados por até dois anos sem necessidade de conservantes.

Inicialmente aplicada ao açaí, a tecnologia passou a beneficiar também outras espécies típicas da Amazônia, como patauá, bacaba, buriti e graviola, consideradas alimentos de alto valor nutricional.

Além de aumentar a durabilidade, a redução do peso dos produtos facilita o transporte para outros mercados, diminuindo os impactos dos elevados custos logísticos enfrentados na região.

Conhecimento tradicional e inovação caminham juntos

O projeto também valoriza os conhecimentos tradicionais das comunidades locais, integrando práticas ancestrais ao processo produtivo.

Segundo os organizadores, o trabalho desenvolvido envolve saberes transmitidos entre gerações, como os períodos adequados de plantio e colheita, além de rituais e práticas culturais que fazem parte da relação histórica das populações tradicionais com a floresta.

A participação de lideranças comunitárias, produtores locais e especialistas em alimentação tradicional tem sido fundamental para o fortalecimento da iniciativa.

Desafios ainda limitam expansão

Apesar dos avanços, os responsáveis pelo projeto destacam que a logística continua sendo um dos principais obstáculos para ampliar a produção.

O transporte aéreo e fluvial, os altos custos de energia elétrica, combustível e gás, além da necessidade de estrutura adequada para processamento dos alimentos, ainda representam desafios significativos.

Atualmente, a produção gira em torno de quatro quilos mensais de frutas liofilizadas e a comercialização ocorre exclusivamente no município de Jordão.

Entre as demandas apontadas estão a construção de uma unidade regularizada para beneficiamento dos alimentos, melhorias na infraestrutura elétrica, ampliação do armazenamento das polpas e formalização de novos postos de trabalho.

Projeto ganha reconhecimento nacional

O trabalho desenvolvido em Jordão conquistou destaque nacional ao chegar à fase final do 13º Prêmio Fundação Banco do Brasil de Tecnologia Social, concorrendo com mais de mil iniciativas de todo o país.

Embora não tenha ficado entre os vencedores, o reconhecimento trouxe visibilidade para o projeto e para a realidade das comunidades tradicionais da Amazônia.

Para os idealizadores, o principal objetivo permanece o mesmo desde o início: criar alternativas sustentáveis de geração de renda, valorizar os saberes locais e contribuir para a preservação da floresta.

A expectativa é que a chegada de um novo equipamento de liofilização permita ampliar gradualmente a produção e fortalecer uma cadeia produtiva baseada nos recursos da própria Amazônia, gerando benefícios econômicos e sociais para as famílias envolvidas.

Foto: Divulgação/Projeto Liofilização e Beneficiamento de Alimentos Orgânicos Tradicionais da Amazônia

Leia também:

AmazonFace vai estudar como a Amazônia reage a ambiente rico em dióxido de carbono

 

Tags: ACREagricultura familiarBioeconomia na AmazôniaComunidades ribeirinhasDesenvolvimento sustentáveleconomia da florestafrutas amazônicasInstituto Flor da FlorestaJordãopovos indígenas

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