Amazônia no Mundo – O trabalho desenvolvido pela comunidade indígena Ashaninka Coriteni Tarso, localizada na região de Satipo, no Peru, vem se destacando como exemplo de manejo sustentável das florestas amazônicas. A iniciativa foi reconhecida pela Agência de Supervisão dos Recursos Florestais e da Vida Selvagem do Peru (Osinfor), que apontou a experiência como modelo para outras comunidades da Selva Central.
Cercada pela rica biodiversidade da região de Junín, a comunidade transformou desafios históricos em oportunidades de desenvolvimento. Há cerca de dez anos, os moradores iniciaram atividades madeireiras sem acesso adequado a informações técnicas, o que resultou em prejuízos e infrações ambientais.
Segundo lideranças locais, empresas externas se aproveitavam da falta de conhecimento sobre medição de madeira e fiscalização dos recursos naturais. A situação gerou preocupação não apenas econômica, mas também ambiental e cultural, já que o uso inadequado da floresta ameaçava o território e a identidade do povo Ashaninka.
Mudança por meio do conhecimento
Em 2017, a comunidade decidiu mudar esse cenário e passou a investir em capacitação e organização interna. Com apoio da Osinfor, por meio do programa Mochila Florestal, homens e mulheres receberam treinamento técnico com abordagem intercultural.
As atividades incluíram ensino sobre cálculo de volume da madeira, preenchimento de cadernos de campo, uso de GPS e monitoramento da extração legal dos recursos florestais.
Hoje, a própria comunidade acompanha todo o processo produtivo, garantindo rastreabilidade, preservação de árvores matrizes e respeito às normas ambientais.
Fortalecimento econômico e preservação ambiental
Com a nova estrutura de gestão, a comunidade Ashaninka também passou a negociar de forma mais justa com empresas interessadas em recursos madeireiros, aumentando a autonomia local.
Além de gerar renda, o modelo fortalece a preservação da floresta e valoriza o conhecimento tradicional indígena, mostrando que desenvolvimento econômico e conservação ambiental podem caminhar juntos.
A experiência de Coriteni Tarso já é vista como inspiração para outras comunidades amazônicas que buscam alternativas sustentáveis de geração de renda sem abrir mão da proteção de seus territórios.
Foto: Reprodução/Agência Andina
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