Cultura – A cerâmica ancestral Japuna, tradição indígena histórica do Médio Solimões, voltou a ganhar forma pelas mãos de mulheres agricultoras e ceramistas da comunidade da Missão, em Tefé. O resgate cultural acontece por meio do projeto “Cadeias Operatórias das Japuna no Médio Solimões”, desenvolvido pelo Instituto Mamirauá.
As japuna, termo de origem tupi usado para designar assadores de farinha, representam um importante patrimônio cultural amazônico. O projeto, iniciado em 2025, une arqueologia, memória ancestral e práticas tradicionais ainda preservadas por mulheres da comunidade.
Pesquisa une passado e presente
A iniciativa foi estruturada em três frentes de pesquisa:
📌 Escavações arqueológicas na região
📌 Estudos etno-históricos baseados em livros e relatos antigos
📌 Observação das técnicas atuais utilizadas pelas ceramistas locais
Os estudos concluíram que as peças produzidas atualmente mantêm forte semelhança com as japuna encontradas em escavações realizadas entre 2017 e 2018 no Centro de Estudos Superiores de Tefé (CEST UEA).
Conhecimento passado entre gerações
Dona Lucila Frazão, de 69 anos, descendente do povo Miranha, herdou os conhecimentos de cerâmica de sua avó indígena e hoje participa da retomada dessa tradição.

As mulheres da comunidade atuam em todas as etapas da produção:
🟤 Coleta do barro
👐 Modelagem manual
🔥 Queima natural
✨ Acabamento com técnicas orgânicas tradicionais
Entre os materiais usados estão o caraipé, utilizado para dar resistência à peça, e pedras para polimento e brilho.
Cultura e geração de renda
Além das japuna, as artesãs também retomaram a produção de outras peças tradicionais, como:
🏺 Vasos
🔥 Fogareiros
🍎 Fruteiras
🍲 Panelas
O projeto amplia oportunidades de geração de renda e fortalece a autonomia econômica das mulheres da comunidade.
Próximas etapas
Em abril, os pesquisadores devem visitar a comunidade de Nogueira, também na região de Tefé, para identificar outras mulheres que preservam saberes ancestrais ligados à cerâmica.
Patrimônio amazônico valorizado
Vinculado ao Ministério da Ciência, Tecnologia e Inovação (MCTI), o Instituto Mamirauá atua desde 2001 em pesquisas arqueológicas e atualmente mantém dezenas de projetos voltados à ciência, cultura e desenvolvimento sustentável na Amazônia.
Foto: Tácio Melo/Instituto Mamirauá
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