Meio Ambiente – A Amazônia registrou o menor índice de desmatamento para o período de seis meses nos últimos sete anos, segundo dados divulgados pelo Instituto do Homem e Meio Ambiente da Amazônia (Imazon). Entre agosto de 2025 e janeiro de 2026, foram desmatados 1.195 km² de floresta, uma redução de 41% em relação ao mesmo período anterior, quando a área devastada somou 2.010 km².
Apenas no mês de janeiro de 2026, o desmatamento caiu 38% na comparação com janeiro de 2025, passando de 133 km² para 83 km² — área equivalente a aproximadamente 5 mil campos de futebol.
Na comparação com o período de agosto de 2020 a janeiro de 2021, quando o desmatamento atingiu 4.563 km² — o maior nível desde 2007 —, a redução chega a 74%.
De acordo com Carlos Souza Jr., coordenador do Programa de Monitoramento da Amazônia do Imazon, a queda representa avanço importante rumo à meta nacional de desmatamento zero até 2030.
“A redução da perda de floresta é fundamental para mitigar o aquecimento global, já que o desmatamento é a principal fonte de emissões de gases de efeito estufa no Brasil”, destacou o pesquisador.
Roraima foi o único estado com aumento
Entre os nove estados da Amazônia Legal, Roraima foi o único a apresentar crescimento no desmatamento no semestre analisado. A área devastada passou de 115 km² para 157 km², alta de 36%.
O município de Caracaraí liderou o ranking de áreas desmatadas no estado, com 60 km², representando 38% do total registrado em Roraima. Também figuraram entre os municípios com maiores índices de devastação Rorainópolis e Amajari.
Além disso, áreas protegidas e assentamentos em Roraima também apareceram entre os mais impactados da região, como o PAD Anauá e a Terra Indígena Waimiri Atroari.
Segundo Larissa Amorim, pesquisadora do Imazon, fatores climáticos ajudam a explicar o cenário.
“Roraima apresenta período seco no início do ano, o que favorece o avanço do desmatamento, enquanto outros estados permanecem sob regime chuvoso”, explicou.
Pará, Amazonas e Acre concentram maiores áreas
Mesmo com reduções expressivas, Pará, Amazonas e Acre lideraram o ranking de estados com maior área desmatada no semestre, concentrando 64% da devastação registrada na Amazônia.
No Pará, destacaram-se os municípios de São Félix do Xingu, Portel e Óbidos. O estado também apresentou elevados índices de desmatamento em áreas protegidas, como a APA Triunfo do Xingu e a Terra Indígena Cachoeira Seca.
No Amazonas, os municípios mais impactados foram Canutama, Lábrea e Apuí. Já no Acre, Feijó registrou a segunda maior área desmatada da Amazônia no período.
Degradação florestal também apresenta queda
Outro dado positivo foi a redução da degradação florestal — danos causados principalmente por incêndios e exploração madeireira. Em janeiro de 2026, a área degradada foi de 28 km², queda de 92% em relação ao mesmo mês do ano anterior.
No acumulado do semestre, a degradação somou 2.262 km², uma redução de 93% na comparação com o período anterior.
Sete dos nove estados da Amazônia Legal registraram queda na degradação. Acre e Roraima foram exceções, apresentando aumento nas áreas afetadas.
Mato Grosso, Pará e Acre lideraram os índices de degradação no período.
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