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Home BIOECONOMIA

Bioeconomia amazônica conecta 5 mil produtores ao mercado nacional e global

Uma parceria entre a seguradora Zurich e a Rede Origens Brasil tem impulsionado a bioeconomia na Amazônia ao movimentar R$ 35 milhões em cinco anos.

Redação por Redação
4 de fevereiro de 2026
em BIOECONOMIA, DESTAQUE
Tempo de leitura: 4 minutos de leitura
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Bioeconomia amazônica conecta 5 mil produtores ao mercado nacional e global

Foto: reprodução (Leandro Fonseca /Exame)

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Bioeconomia – Uma parceria entre a seguradora Zurich e a Rede Origens Brasil tem impulsionado a bioeconomia na Amazônia ao movimentar R$ 35 milhões em cinco anos, fortalecendo cadeias produtivas sustentáveis e beneficiando cerca de 5 mil produtores em 414 comunidades tradicionais da região.

Às margens do rio Erepecuru, no norte do Pará, a comunidade quilombola de Pancada simboliza esse processo de transformação. Localizada no Baixo Amazonas, a região reúne territórios quilombolas e indígenas cuja subsistência depende da agricultura familiar e do extrativismo sustentável, com a castanha-do-pará como principal fonte de renda.

Pancada é uma das comunidades atendidas pela iniciativa, que desde 2020 ampliou em 191% o volume de comercialização de produtos da floresta. O acesso à cidade mais próxima, Oriximiná, é exclusivamente fluvial, com trajetos que podem durar até 20 dias desde os castanhais, enfrentando cachoeiras, alto consumo de combustível e custos logísticos elevados.

Segundo Nilde Souza dos Santos, coordenadora da comunidade, antes da parceria os produtores eram reféns de atravessadores, que impunham preços baixos.
“Muitas vezes trabalhávamos sem lucro. Hoje temos perspectiva de crescimento e melhores condições de vida”, afirmou.

Além do aumento de renda, os recursos possibilitaram melhorias estruturais, como acesso à energia elétrica, aquisição de novas embarcações e fortalecimento da organização comunitária. As decisões coletivas são tomadas em reuniões mensais no barracão da comunidade, que também abriga escola, cozinha comunitária e espaços de convivência.

Integração com o setor privado

De acordo com Luiz Brasi, gerente da Rede Origens Brasil no Imaflora, o papel da rede é conectar comunidades tradicionais ao setor privado, criando mecanismos financeiros que garantam viabilidade econômica às cadeias produtivas.
“O diferencial está em combinar comércio justo com pagamento por serviços ambientais. No fim, é preciso fazer a conta fechar”, destacou.

Os desafios enfrentados pelas comunidades incluem logística complexa, custos elevados de produção, falta de conectividade, conflitos fundiários e pressão de atividades minerárias. Dados da Comissão Pró-Índio apontam dezenas de processos minerários incidentes sobre terras quilombolas da região.

Impactos mensuráveis

Desde o início do apoio financeiro da Fundação Zurich, em 2021, os resultados são expressivos. O número de produtores beneficiados cresceu 124%, passando de 2.225 para 5 mil. Já o número de comunidades atendidas saltou de 68 para 414, um aumento de 508%. A área total abrangida pela rede chegou a 58 milhões de hectares.

Outro avanço relevante foi a mudança no modelo de comercialização. Atualmente, a Rede Origens Brasil conecta produtores a 41 empresas compradoras em todo o país, garantindo rastreabilidade, transparência e preços mais justos. Mais de 20 produtos florestais originam cerca de 100 itens com selo da rede, presentes em mercados nacionais e internacionais.

Estratégia climática e visão de longo prazo

Para Sven Feistel, diretor financeiro da Zurich no Brasil, o investimento está diretamente ligado à mitigação dos riscos climáticos.
“Floresta preservada significa clima mais estável. Isso reduz eventos extremos e os impactos financeiros associados”, explicou.

A partir de 2026, a Zurich Brasil passará a investir diretamente no território, com foco em ampliar o volume comercializado. Segundo Nathalia Abreu, gerente executiva de Sustentabilidade da companhia, a estratégia inclui um mecanismo piloto de equalização de preços, que remunera não apenas o produto, mas também a área de floresta preservada.

Bioeconomia aplicada no território

A implementação local é conduzida por Maria Farias, coordenadora de Bioeconomia do Imaflora. Em Oriximiná, o foco está no extrativismo sustentável em áreas de floresta preservada.
“Aqui não há passivo ambiental, há um ativo florestal. Nosso papel é fortalecer quem está por trás das cadeias da sociobiodiversidade”, afirmou.

A entrada no Programa Nacional de Alimentação Escolar (PNAE) ampliou o alcance da produção: de sete itens fornecidos inicialmente, hoje são 25 produtos destinados à merenda escolar. Além da castanha, o cumaru, a copaíba, a andiroba e a pimenta ganham espaço em mercados de alimentos, cosméticos e moda.

Mesmo diante dos desafios, a percepção nas comunidades é de avanço.
“Hoje enfrentamos dificuldades com mais estrutura e esperança. O futuro está sendo construído coletivamente”, concluiu Nilde.

Leia também:

Bioeconomia, energia e capital: o que falta para transformar o potencial amazônico em projetos economicamente viáveis?

 

Tags: bioeconomiabioeconomia amazônicacastanha-do-parácomunidades tradicionaisextrativismo sustentávelfloresta em péRede Origens BrasilZurich

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