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Home AGRONEGÓCIO

Iniciativa vai conectar produção de agricultores familiares à alimentação de 68 mil estudantes no Amazonas

Redação por Redação
22 de setembro de 2026
em AGRONEGÓCIO, DESTAQUE
Tempo de leitura: 5 minutos de leitura
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Iniciativa vai conectar produção de agricultores familiares à alimentação de 68 mil estudantes no Amazonas

Foto: divulgação/ reprodução

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AGRONEGÓCIO – Conectar a produção de alimentos da agricultura familiar nos territórios amazônicos à alimentação oferecida aos estudantes da rede pública de ensino é o centro do Projeto Pirão no Prato, nova iniciativa executada pela Fundação Amazônia Sustentável (FAS), com apoio do Fundo Amazônia, administrado pelo Banco Nacional de Desenvolvimento Sustentável (BNDES).

Ao longo de quatro anos, o projeto irá contemplar os municípios de Beruri, Carauari, Eirunepé, Fonte Boa, Itapiranga, Manacapuru, Maraã, Manicoré, Novo Aripuanã e Uarini, no Amazonas.

De acordo com Eduardo Rizzo, engenheiro florestal e coordenador do projeto, o Pirão no Prato busca garantir que pratos nutritivos e culturalmente adequados cheguem às mesas dos alunos, por meio da integração desse sistema com a agricultura familiar.

“Em um território onde mais de 87% das escolas operam em zonas rurais ou ribeirinhas, com profundos desafios logísticos, mais do que nutrir estudantes, o projeto atua para emancipar agricultores familiares, incentivando práticas de agricultura de baixo carbono, como as agroflorestas, e inserindo esses produtores de forma competitiva no mercado de compras públicas institucionais.”

A expectativa é beneficiar mais de 10 mil famílias produtoras e cerca de 68 mil estudantes. Para Valcléia Lima, superintendente-geral adjunta da FAS, o impacto da iniciativa vai além da alimentação oferecida nas escolas e alcança também as famílias e os territórios envolvidos na produção.

“O impacto será especialmente na segurança alimentar das crianças e no fortalecimento da inserção da agricultura familiar em uma alimentação que consideramos essencial para as crianças da Amazônia profunda. Além, é claro, de fortalecer a geração de renda nos mais diversos territórios e calhas de rios”, destaca.

As áreas de atuação do projeto também envolvem Unidades de Conservação e territórios indígenas.

O Pirão na prática

Alinhado ao Programa Nacional de Alimentação Escolar (PNAE), o Pirão no Prato busca aproximar os diferentes atores que fazem parte do caminho do alimento: quem produz, quem organiza a produção, quem compra, quem prepara e os estudantes que consomem as refeições nas escolas.

“A legislação atual estabelece que o percentual mínimo de aquisição de alimentos da agricultura familiar para a alimentação escolar deve ser de 45%. No Amazonas, segundo os dados mais recentes de execução do PNAE disponibilizados pelo Fundo Nacional de Desenvolvimento da Educação (FNDE), referentes a 2022, esse percentual foi de apenas 31,5%, abaixo do mínimo obrigatório. Então, o projeto vem justamente para contribuir com a redução dessa lacuna”, explica Rizzo.

O projeto tem duas ações complementares principais: a primeira se relaciona com a oferta de alimentos e envolve apoiar a produção dos agricultores em estruturação, licenciamento e beneficiamento da produção, aquisição de equipamentos para transporte e assessoria técnica, por exemplo.

A outra linha está ligada ao fortalecimento do consumo de alimentos saudáveis, cenário relacionado à realidade das escolas. O processo envolve ações de estruturação das escolas para armazenar os alimentos, a revisão dos cardápios escolares, implantação de hortas e agroflorestas e capacitação de merendeiras.

Esse conjunto de iniciativas parte do potencial da produção local para contribuir, ao mesmo tempo, com a qualidade da alimentação escolar, a geração de renda para agricultores familiares e comunidades tradicionais e a movimentação das economias dos próprios municípios.

Ciência e conhecimento técnico chegam aos territórios

A atuação contará também com a cooperação da Empresa Brasileira de Pesquisa Agropecuária (Embrapa). FAS e Embrapa formalizaram um acordo para ampliar a colaboração em iniciativas de desenvolvimento sustentável na Amazônia na última sexta, dia 18 de setembro. A parceria permitirá aproximar conhecimento científico e técnico das ações realizadas junto aos produtores, incluindo experiências relacionadas à diversidade de frutos e tubérculos e aos sistemas agroflorestais.

Para Ana Euler, diretora de Inovação Social e Transferência de Tecnologia da Embrapa, a cooperação contribui para conectar o conhecimento acumulado pela instituição à produção das comunidades e à alimentação oferecida nas escolas. “A Embrapa vai cooperar com todo esse trabalho acumulado em genética de frutos e tubérculos, através de sistemas agroflorestais, para fazer chegar das comunidades ao prato da merenda escolar, em dez municípios”, afirma.

Primeiros passos em Manacapuru

A implementação do Pirão no Prato começa pela formalização de acordos de cooperação técnica com as prefeituras dos dez municípios participantes. A partir dessa parceria, será realizado um diagnóstico em cada localidade para conhecer a realidade da alimentação escolar, a estrutura das escolas e as condições da produção local, informações que irão orientar o planejamento das ações do projeto.

Manacapuru será um dos primeiros municípios a receber essa etapa. Entre setembro e outubro, a equipe do projeto estará em campo para realizar visitas e levantar informações que servirão de base para definir quais escolas e organizações produtivas serão apoiadas e quais ações serão desenvolvidas no município.

Segundo Rizzo, o diagnóstico permitirá compreender tanto as condições estruturais quanto a alimentação oferecida aos estudantes.

“Vamos conhecer a estrutura das escolas e entender a qualidade da alimentação que está chegando aos alunos. A partir desse diagnóstico, poderemos planejar a execução do projeto em Manacapuru, definindo quais escolas serão apoiadas, quais associações e cooperativas participaram e de que forma esse apoio será realizado”, explica.

Para a subsecretária municipal de Educação de Manacapuru, Mara Regina, a chegada do projeto representa uma oportunidade de aprimorar o trabalho já desenvolvido pela rede de ensino.

“Vemos o projeto como uma oportunidade muito importante para melhorar cada vez mais a alimentação escolar dos nossos alunos. Já temos uma estrutura desenvolvida, mas queremos avançar, fortalecer a parte técnica e buscar novos conhecimentos”, afirma.

Sobre o Projeto Pirão no Prato

O Projeto Pirão no Prato, executado pela Fundação Amazônia Sustentável (FAS) com o apoio do Fundo Amazônia, administrado pelo BNDES (Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social), tem o objetivo de apoiar o fortalecimento integrado da produção sustentável de alimentos pela agricultura familiar — incluindo a oriunda de Povos Indígenas e demais Povos e Comunidades Tradicionais —, assim como da aquisição e do consumo de alimentos dessa natureza para a alimentação escolar nas redes públicas de ensino do estado do Amazonas. O projeto tem sua execução prevista até novembro de 2029. Acompanhe o projeto aqui: https://fas-amazonia.org/pirao-no-prato/

Sobre a FAS

A Fundação Amazônia Sustentável (FAS) é uma organização da sociedade civil sem fins lucrativos que atua pelo desenvolvimento sustentável da Amazônia. Sua missão é contribuir para a conservação do bioma, para a melhoria da qualidade de vida das populações amazônicas e para a valorização da floresta em pé e de sua biodiversidade.

Créditos: Rodolfo Pongelupe

*Com informações Up Comunicação Inteligente

Leia também:

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Tags: #bndesagricultores familiaresagricultura familiar Amazonasagricultura sustentávelagroflorestasalimentação escolar AmazonasEmbrapaescolas do AmazonasFasFundação Amazônia SustentávelFundo AmazôniaManacapuruPirão no PratoPNAEsegurança alimentar

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