TRANSIÇÃO ENERGÉTICA – A expansão do mercado de veículos elétricos começa a produzir efeitos cada vez mais relevantes sobre a indústria do petróleo. Um levantamento divulgado pelo banco Goldman Sachs aponta que o aumento da participação dos modelos eletrificados nas vendas mundiais de automóveis poderá reduzir a demanda global por petróleo em até 320 mil barris diários até dezembro de 2027.
Segundo o estudo, os veículos elétricos responderam por 26,1% das vendas globais de automóveis em maio de 2026. O índice representa um crescimento de 3,4 pontos percentuais em comparação com fevereiro deste ano e estabelece um novo recorde para o setor. O levantamento desconsidera um movimento atípico observado nos Estados Unidos em setembro de 2025, quando incentivos fiscais elevaram temporariamente o volume de vendas.
China amplia liderança na eletrificação
Entre os 15 maiores mercados mundiais de veículos elétricos analisados pelo Goldman Sachs, 12 apresentaram crescimento na participação da tecnologia. O maior avanço foi registrado na China, onde a presença dos modelos eletrificados nas vendas aumentou 11,4 pontos percentuais, consolidando o país como principal referência na transição para a mobilidade elétrica.
Cenários projetam diferentes impactos sobre o petróleo
Para estimar os efeitos da eletrificação da frota, o banco elaborou dois cenários. No primeiro, chamado de Aceleração Temporária, considera-se que o atual ritmo de crescimento das vendas será mantido. Nesse caso, a expectativa é de uma redução aproximada de 130 mil barris por dia no consumo mundial de petróleo até o fim de 2027.
Já no cenário denominado Aceleração Persistente, que pressupõe a continuidade da expansão recente das vendas de veículos elétricos, a queda poderá atingir cerca de 320 mil barris diários no mesmo período.
Estimativa pode ser conservadora
O Goldman Sachs ressalta que as projeções podem representar apenas parte do impacto da eletrificação sobre o mercado de petróleo. Isso porque a análise considera principalmente a evolução da frota de automóveis de passeio.
O estudo não incorpora de forma integral segmentos como motocicletas, triciclos e outros veículos leves eletrificados, que possuem participação expressiva em países como Índia e Vietnã. Também ficam de fora atividades econômicas que consomem petróleo fora do transporte rodoviário, o que pode ampliar os efeitos da transição energética ao longo dos próximos anos.
Reflexos nos preços internacionais
Além da redução da demanda, o avanço da mobilidade elétrica tende a influenciar diretamente o mercado internacional de petróleo. Na avaliação do banco, o fortalecimento desse movimento aumenta a probabilidade de um cenário de preços mais baixos para a commodity.
Entre as projeções apresentadas, o barril do petróleo Brent poderá alcançar a faixa de US$ 50 até o final de 2027, caso o ritmo de adoção dos veículos elétricos continue avançando em escala global.
A combinação entre políticas de incentivo à eletrificação, expansão da produção de veículos elétricos e mudanças no comportamento dos consumidores reforça a expectativa de uma transformação gradual no mercado mundial de energia, reduzindo a dependência dos combustíveis fósseis nos próximos anos.
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