MEIO AMBIENTE – O Instituto Clima e Sociedade (iCS) lançou um edital que vai investir R$ 4 milhões em projetos comunitários voltados à adaptação às mudanças climáticas em regiões vulneráveis do Brasil. A iniciativa prevê o financiamento de oito a dez propostas lideradas por comunidades indígenas, quilombolas, rurais, periféricas urbanas e costeiras.
As inscrições estão abertas até o dia 1º de julho de 2026. Cada projeto selecionado poderá receber entre R$ 200 mil e R$ 700 mil, com prazo de execução de até 18 meses.
O objetivo é fortalecer a capacidade de adaptação de populações que convivem diretamente com os impactos das mudanças climáticas, como secas prolongadas, enchentes, ondas de calor, incêndios florestais e deslizamentos de terra.
Comunidades no centro das soluções climáticas
Segundo o Instituto Clima e Sociedade, a proposta reconhece que as comunidades mais afetadas pela crise climática também acumulam conhecimentos e experiências fundamentais para o desenvolvimento de soluções adaptadas às realidades locais.
Por isso, os projetos deverão ser construídos de forma participativa, envolvendo os moradores na elaboração e implementação das estratégias de adaptação.
Além de enfrentar desafios já presentes nos territórios, a iniciativa busca apoiar ações inovadoras que possam servir de modelo para outras regiões do país.
Sete estados serão beneficiados
O edital contempla comunidades localizadas nos estados de Alagoas, Bahia, Ceará, Minas Gerais, Pará, Paraíba e Pernambuco.
A seleção das áreas foi baseada em indicadores da plataforma Adapta Brasil, desenvolvida pelo Ministério da Ciência, Tecnologia e Inovação (MCTI), que identifica regiões com maior vulnerabilidade socioeconômica e exposição aos riscos climáticos.
Entre os estados contemplados, o Pará é o único pertencente à Amazônia Legal, região que enfrenta desafios crescentes relacionados a secas severas, enchentes e alterações nos padrões de chuva.
Organizações comunitárias terão protagonismo
Poderão participar da seleção associações comunitárias e organizações da sociedade civil que atuem diretamente nos territórios contemplados.
Instituições de ensino superior e centros públicos de pesquisa poderão integrar os projetos apenas como parceiros técnicos, oferecendo suporte científico e metodológico às iniciativas lideradas pelas próprias comunidades.
Para a gerente de Engajamento, Agentes de Mudança e Governança Climática do iCS, Tatiana Lobão, fortalecer as respostas locais é essencial para ampliar a capacidade de adaptação das populações diante dos eventos extremos que tendem a se intensificar nas próximas décadas.
Contribuição para metas globais
Além do impacto local, os projetos selecionados também deverão contribuir para o avanço das discussões sobre adaptação climática em escala internacional.
A iniciativa está alinhada à Meta Global de Adaptação (Global Goal on Adaptation – GGA), compromisso estabelecido no âmbito do Acordo de Paris para acelerar ações que reduzam a vulnerabilidade das populações aos efeitos das mudanças climáticas.
Especialistas apontam que a adaptação vem se tornando um dos principais temas das negociações climáticas globais, especialmente em países em desenvolvimento, onde milhões de pessoas já enfrentam consequências diretas do aquecimento global.
Investimento em resiliência e inclusão
O lançamento do edital ocorre em um momento de crescente mobilização por investimentos em soluções baseadas nos territórios e no conhecimento das populações locais.
Para especialistas, iniciativas comunitárias costumam gerar resultados mais duradouros por considerar aspectos sociais, culturais e ambientais específicos de cada região.
Em um cenário marcado pelo aumento da frequência e intensidade dos eventos climáticos extremos, o programa representa uma oportunidade para fortalecer ações que promovam proteção ambiental, segurança hídrica, inclusão social e resiliência climática em comunidades vulneráveis de todo o país.
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