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Home MEIO AMBIENTE

Setor elétrico entra em alerta com previsão de El Niño forte no segundo semestre

Projeções climáticas indicam alta probabilidade de formação do fenômeno no segundo semestre de 2026, aumentando a pressão sobre reservatórios e os custos de geração de energia.

Redação por Redação
5 de junho de 2026
em DESTAQUE, MEIO AMBIENTE
Tempo de leitura: 3 minutos de leitura
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Setor elétrico entra em alerta com previsão de El Niño forte no segundo semestre

Foto: reprodução Chatgpt

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MEIO AMBIENTE – As projeções para a formação do fenômeno El Niño no segundo semestre de 2026 colocaram o setor elétrico brasileiro em estado de atenção. Especialistas apontam que a redução das chuvas em importantes regiões do país pode pressionar os reservatórios das hidrelétricas, elevar o uso de usinas termelétricas e resultar em aumento das tarifas de energia para consumidores e empresas.

Segundo modelos climáticos monitorados pela Administração Nacional Oceânica e Atmosférica dos Estados Unidos (NOAA), há 82% de probabilidade de formação do El Niño entre maio e julho e 96% de chance de que o fenômeno permaneça ativo durante o verão de 2026/2027.

Possibilidade de um Super El Niño preocupa mercado

Parte das projeções já considera a possibilidade de um episódio de forte intensidade, conhecido como “Super El Niño”. A classificação é utilizada quando o aquecimento das águas do Oceano Pacífico Central e Oriental ultrapassa 2°C acima da média histórica por pelo menos três meses consecutivos.

Caso esse cenário se confirme, os impactos climáticos poderão ser ainda mais expressivos, afetando diretamente a geração de energia no Brasil.

Menos chuva e mais pressão sobre os reservatórios

Tradicionalmente, o El Niño provoca redução das chuvas nas regiões Norte e Nordeste, atraso do período úmido no Sudeste e Centro-Oeste e aumento da ocorrência de eventos climáticos extremos no Sul do país.

Para o sistema elétrico brasileiro, cuja matriz ainda possui forte dependência da geração hidrelétrica, a diminuição das afluências representa um desafio operacional relevante.

Apesar de os reservatórios das regiões Sudeste e Centro-Oeste apresentarem níveis considerados confortáveis, próximos de 66% da capacidade armazenada, especialistas alertam para o risco de desgaste gradual dessas reservas diante de um cenário prolongado de seca e aumento do consumo de energia.

Uso de termelétricas pode elevar custos

De acordo com o especialista em inteligência de mercado do Grupo Bolt, Matheus Machado, as perspectivas climáticas já influenciam as expectativas do mercado de energia.

Segundo ele, a combinação entre temperaturas acima da média, atraso das chuvas e seca prolongada em algumas regiões pode aumentar significativamente a necessidade de acionamento de usinas termelétricas, cuja geração possui custo mais elevado.

“O atraso das chuvas e as temperaturas elevadas devem acelerar o consumo das reservas ao longo do segundo semestre. Isso aumenta a dependência de fontes mais caras de geração e pressiona os preços da energia”, explicou.

Bandeira amarela já está em vigor

O cenário de atenção já se reflete nas tarifas de energia. A Agência Nacional de Energia Elétrica (Aneel) confirmou a manutenção da bandeira tarifária amarela para o mês de junho.

Com isso, os consumidores terão cobrança adicional de R$ 1,885 para cada 100 kWh consumidos. A medida é adotada quando as condições de geração se tornam menos favoráveis e há necessidade de utilização de usinas com custos mais elevados.

Entre janeiro e abril, o sistema operou sob bandeira verde, sem cobrança adicional. Em maio, a Aneel acionou a bandeira amarela em razão da redução das chuvas e do início do período seco no país.

Consumidores devem acompanhar cenário climático

Especialistas avaliam que a evolução do fenômeno nos próximos meses será determinante para o comportamento das tarifas de energia até o fim de 2026.

Caso as projeções de seca se intensifiquem e os reservatórios apresentem redução significativa nos níveis de armazenamento, o país poderá enfrentar novas mudanças no sistema de bandeiras tarifárias, incluindo a possibilidade de acionamento das bandeiras vermelha patamar 1 ou 2, que representam custos ainda maiores para os consumidores.

Leia também:

ONU alerta para El Niño forte e pede preparação global contra secas, enchentes e calor extremo

 

Tags: AneelBandeira tarifáriaconsumo de energiaEl Niño 2026Energia elétricaHidrelétricasMercado de energiaPreço da energiaReservatóriossetor elétrico brasileiroTermelétricas

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