MEIO AMBIENTE – A Organização Meteorológica Mundial (OMM), agência especializada das Nações Unidas para monitoramento do clima, emitiu um alerta sobre a possibilidade de um episódio forte de El Niño nos próximos meses. Segundo a entidade, o fenômeno poderá elevar ainda mais as temperaturas globais e intensificar secas, enchentes e ondas de calor em diversas regiões do planeta.
De acordo com a OMM, o aquecimento das águas superficiais do Oceano Pacífico tropical já está favorecendo o desenvolvimento do fenômeno climático, que deve permanecer ativo pelo menos até novembro. As projeções indicam temperaturas acima da média global durante os próximos meses.
Fenômeno pode agravar extremos climáticos
Embora ainda existam incertezas sobre a intensidade do evento, a organização considera essencial que governos e comunidades iniciem medidas de preparação para reduzir impactos sociais, econômicos e ambientais.
A secretária-geral da OMM, Celeste Saulo, afirmou que o mundo precisa estar pronto para enfrentar as consequências do fenômeno.
“Precisamos nos preparar para um evento de El Niño potencialmente forte, que agravará secas e chuvas intensas e aumentará o risco de ondas de calor tanto em terra quanto nos oceanos”, destacou.
O que é o El Niño?
O El Niño é um fenômeno climático caracterizado pelo aquecimento anormal das águas do Oceano Pacífico nas regiões central e oriental. Essa alteração interfere nos padrões atmosféricos globais e provoca mudanças significativas nos regimes de chuva e temperatura em diferentes partes do mundo.
Historicamente, o fenômeno costuma provocar aumento das chuvas em áreas do sul da América do Sul e da África Oriental, enquanto favorece períodos de seca em regiões como Austrália, Indonésia, América Central e partes do sul da Ásia.
Além disso, especialistas alertam para a possibilidade de maior atividade de furacões no Pacífico central e oriental.
Impactos vão além do clima
Segundo a OMM, os efeitos do calor extremo não se limitam às condições meteorológicas. O aumento das temperaturas pode favorecer a proliferação de doenças transmitidas por vetores, como mosquitos e carrapatos, além de pressionar sistemas de abastecimento de água e produção de alimentos.
Para Celeste Saulo, os impactos tendem a atingir com mais intensidade populações já vulneráveis.
“Comunidades que já enfrentam dificuldades serão levadas além de seus limites”, alertou.
Recordes de temperatura preocupam especialistas
A preocupação da ONU ocorre após o último episódio de El Niño, registrado entre 2023 e 2024, considerado um dos mais intensos da história recente. O fenômeno contribuiu diretamente para que 2024 fosse registrado como o ano mais quente já observado em escala global.
A OMM informou ainda que detectou temperaturas subsuperficiais excepcionalmente elevadas no Pacífico tropical, chegando a superar em mais de 6°C a média histórica em algumas áreas. Esse acúmulo de calor é apontado como um dos fatores que favorecem o fortalecimento do fenômeno.
ONU reforça urgência da agenda climática
O secretário-geral da ONU, António Guterres, afirmou que o avanço das condições associadas ao El Niño reforça a necessidade de acelerar medidas de combate às mudanças climáticas e a transição para fontes de energia mais limpas.
“O mundo deve tratar isso como o alerta climático urgente que é. As condições de El Niño vão adicionar combustível ao fogo de um planeta em aquecimento”, declarou.
Especialistas defendem que ações de adaptação e prevenção sejam fortalecidas para minimizar riscos à população e reduzir prejuízos econômicos decorrentes dos eventos climáticos extremos previstos para os próximos meses.
Foto: reprodução Chatgpt
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