Transição Energética – Uma pesquisa recente realizada pela Opium revelou que a maioria dos brasileiros já enxerga a transição energética como um tema urgente e estratégico. Segundo o levantamento, 76% da população acredita que é essencial reduzir a dependência de combustíveis fósseis.
O dado mostra uma mudança significativa na percepção pública: a transição energética deixou de ser apenas uma pauta ambiental e passou a ser vista como uma questão de segurança, estabilidade econômica e soberania nacional.
Energia e geopolítica
Ao longo das últimas décadas, o debate sobre energia esteve centrado em aspectos técnicos e econômicos. No entanto, crises recentes e oscilações no preço dos combustíveis evidenciaram um novo cenário.
A dependência de fontes fósseis, muitas vezes concentradas em regiões instáveis, passou a ser associada a riscos geopolíticos e vulnerabilidade econômica. Nesse contexto, investir em fontes renováveis se torna também uma estratégia de proteção nacional.
O potencial do Brasil
O Brasil ocupa uma posição privilegiada nesse cenário, com uma das matrizes energéticas mais limpas do mundo e grande potencial de expansão em fontes renováveis.
No entanto, especialistas apontam que o potencial, por si só, não garante liderança. É necessário transformar essa vantagem em desenvolvimento concreto, por meio de planejamento estratégico e políticas consistentes.
Mais que substituir fontes
A transição energética vai além da simples troca de combustíveis fósseis por fontes renováveis. O desafio envolve:
Inclusão social
Geração de empregos qualificados
Desenvolvimento de cadeias produtivas locais
Acesso igualitário à energia
Sem esses fatores, há risco de repetir modelos antigos com novas tecnologias.
Segurança energética
Outro dado relevante da pesquisa indica que 68% dos brasileiros acreditam que investir em energia limpa fortalece a segurança nacional.
A segurança energética, no entanto, não depende apenas da produção. Ela envolve:
Infraestrutura eficiente
Capacidade de armazenamento
Inovação tecnológica
Boa governança
Desafio do longo prazo
Um dos principais entraves apontados é a mentalidade de curto prazo em decisões de investimento. Projetos energéticos exigem planejamento de longo prazo e visão estratégica.
Mais do que retorno financeiro imediato, é necessário considerar impactos sociais e ambientais, além dos custos evitados no futuro. O Brasil tem a oportunidade de liderar um novo ciclo de desenvolvimento baseado em energia limpa, inovação e inclusão. A decisão, no entanto, não é mais sobre “se” a transição deve acontecer, mas “como” ela será conduzida — e qual papel o país ocupará nesse processo global.
Fonte: Artigo escrito por Hugo Bethlem, presidente do Capitalismo Consciente Brasil.
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