Bioeconomia – Na Amazônia, os saberes ancestrais continuam sendo essenciais para a sobrevivência e a identidade cultural dos povos indígenas. Entre essas tradições está o artesanato, prática que utiliza elementos naturais como fibras, sementes, madeira e argila para produzir peças que carregam história, memória e identidade.
Entre os povos indígenas, as mulheres têm papel fundamental na preservação desses conhecimentos. Por meio do trabalho manual, elas transmitem técnicas e ensinamentos às novas gerações, fortalecendo a cultura e criando também oportunidades de geração de renda nas comunidades.
No Amazonas, um grupo de artesãs indígenas tem se destacado na produção da chamada Cerâmica Tukano, tradição que combina grafismos e técnicas ancestrais no trabalho com o barro.
A iniciativa é conduzida pela Associação das Mulheres Indígenas da Região de Taracuá (AMIRT), organização formada por mulheres indígenas de diferentes etnias. O grupo nasceu no território de Merẽ Weri Wi’i, conhecido como Distrito de Taracuá, no Baixo Rio Uaupés, região do Triângulo Tukano, dentro da Terra Indígena Alto Rio Negro, no município de São Gabriel da Cachoeira.
Atualmente, a associação reúne cerca de 66 mulheres pertencentes a povos como Tukano, Tariana, Dessana, Piratapuia e Kotiria. Além de produzir cerâmicas e grafismos tradicionais, o grupo também atua na defesa dos direitos indígenas e na valorização do protagonismo feminino nas comunidades.
Segundo a artesã e pesquisadora indígena Sileusa Monteiro, do povo Dessana, a criação da associação está ligada à luta histórica dos povos indígenas pela demarcação de terras e pela autonomia das comunidades.
Com o tempo, o artesanato se tornou uma importante alternativa de renda, fortalecendo a independência financeira das mulheres envolvidas no projeto.
Para a presidente da associação, Suzana Menezes, a produção de cerâmica tem ampliado a visibilidade das mulheres indígenas e contribuído para o reconhecimento de seus conhecimentos tradicionais.
Segundo ela, o trabalho artesanal mostra o potencial das artesãs e reforça a busca por autonomia econômica dentro e fora das comunidades.
Tradição que atravessa gerações
A produção de cerâmica na região tem origem ancestral e é transmitida de geração em geração. Uma das figuras mais importantes nessa trajetória foi a ceramista indígena Anita Lemos, do povo Araposo.
Ela foi uma das pioneiras da associação e ensinou às artesãs o processo tradicional de produção de peças de cerâmica utilizadas no cotidiano, como panelas, pratos, bacias e utensílios domésticos.
Mesmo após sua morte, o conhecimento transmitido por Anita continua presente entre as ceramistas da região, sendo repassado para filhas, noras e netas que seguem a tradição familiar.
Atualmente, as integrantes da associação também promovem oficinas e atividades práticas para ensinar a técnica a novos interessados, ampliando o alcance do conhecimento ancestral.
Embora a base da produção continue ligada às tradições antigas, as artesãs também buscam novas formas de expressão no artesanato, criando estilos próprios e explorando diferentes possibilidades de produção com a cerâmica.
Assim, a Cerâmica Tukano segue como símbolo de resistência cultural, autonomia feminina e valorização da identidade indígena na Amazônia.
*Com informações portalamazonia
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