Comércio – Exportadores brasileiros de carne de frango estão avaliando rotas alternativas para garantir a entrega de produtos aos países árabes após o aumento da tensão no Oriente Médio. A preocupação do setor surgiu após o fechamento do Estreito de Ormuz, uma das principais rotas marítimas de transporte de petróleo e mercadorias na região.
De acordo com o presidente da Associação Brasileira de Proteína Animal (ABPA), Ricardo Santin, as empresas estão trabalhando para manter as exportações e evitar impactos no abastecimento dos parceiros comerciais do Brasil.
Segundo ele, os navios que já tinham reservas de carga confirmadas continuam com suas viagens programadas, mas ajustes logísticos podem ser necessários nos próximos dias. Uma das estratégias discutidas pelo setor é utilizar portos alternativos e rotas mais longas para garantir que os produtos cheguem aos destinos previstos.
Entre as possibilidades avaliadas está o envio da carga para o porto de Jeddah, na Arábia Saudita. A partir dali, os produtos poderiam seguir por transporte terrestre até cidades como Riad e outros destinos no Golfo.
Outra alternativa considerada é o desvio das rotas marítimas pelo Cabo da Boa Esperança, contornando o continente africano. Embora essa estratégia aumente o tempo de transporte, especialistas afirmam que ela é viável porque a carne de frango exportada é transportada em contêineres refrigerados.
Com as mudanças logísticas, o tempo médio de transporte, que costuma ser de cerca de 42 dias, pode chegar a aproximadamente 57 dias.
Os países árabes são um dos principais mercados para o frango brasileiro. Atualmente, eles importam entre 100 mil e 120 mil toneladas do produto por mês, o que representa cerca de 25% a 30% das exportações totais do Brasil.
Grandes empresas do setor possuem fábricas e centros de distribuição na região do Golfo, o que reforça a importância estratégica desse mercado para o agronegócio brasileiro.
Santin também afirmou que o setor está em diálogo com o governo brasileiro para minimizar impactos logísticos e burocráticos que possam surgir devido ao conflito.
O ministro da Agricultura, Carlos Fávaro, sinalizou apoio às empresas e disse que o país deve atuar para garantir o abastecimento alimentar aos parceiros comerciais da região.
Apesar das alternativas logísticas, especialistas alertam que o cenário pode gerar aumento nos custos de frete, combustível e seguros marítimos.
A situação ocorre em um período sensível para os países árabes, que vivem o mês sagrado do Ramadã. Durante essa época, é comum que governos e empresas reforcem os estoques de alimentos para atender à demanda da população.
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