Bioeconomia – Ribeirinhos assentados da reforma agrária em Afuá, no arquipélago do Marajó (PA), estão apostando na produção de vinho tinto de açaí como alternativa de geração de renda e valorização da cultura amazônica. A bebida, produzida artesanalmente, é comercializada a R$ 60 a garrafa de 750 ml, com margem de lucro superior a 50%.
A iniciativa conta com apoio da Empresa de Assistência Técnica e Extensão Rural do Estado do Pará (Emater-PA) e segue proposta técnica da Empresa Brasileira de Pesquisa Agropecuária (Embrapa) para ampliar o aproveitamento sustentável do açaí.
Produção artesanal fortalece economia local
Desde o segundo semestre de 2025, cerca de 20 famílias dos assentamentos Ilha Araraman e Ilha Charapucu passaram por capacitação e receberam kits para iniciar o processo de fermentação alcoólica da polpa do açaí.
O vinho é produzido nas versões “suave” e “seco” e comercializado sob encomenda e em feiras regionais. Segundo os produtores, a demanda tem sido alta, com grande parte das remessas já vendidas antes mesmo da finalização.
A proposta integra um movimento de diversificação da principal cadeia produtiva do Marajó, agregando valor ao fruto que é símbolo da economia regional.
Açaí vai além da polpa tradicional
Na comunidade São José do Rio Maniva, a família de Kátia Pantoja está na terceira safra da bebida, com produção média de 28 litros por ciclo.
O açaí utilizado é colhido no próprio lote, atravessado pelo igarapé Aruãs. A produção ocorre de forma coletiva, fortalecendo a organização comunitária e a economia solidária.
O vinho de açaí passa a integrar o catálogo da marca Art-Mani, que já comercializa produtos como óleos, pomadas, sabonetes e xaropes medicinais derivados de sementes amazônicas como andiroba e pracaxi.
Diversificação sustentável no Marajó
O projeto reforça o papel da assistência técnica rural na geração de renda e na valorização de saberes tradicionais. A proposta combina:
Aproveitamento sustentável do açaí
Agregação de valor ao produto
Produção artesanal com identidade regional
Fortalecimento comunitário
A iniciativa demonstra como inovação e tradição podem caminhar juntas na economia da floresta.
Leia também:
Produtores de açaí em Roraima investem em indústria própria e ampliam renda no campo







