Meio Ambiente – O desmatamento coloca em risco o Santuário das árvores gigantes da Amazônia. A Floresta Estadual do Paru, no Pará, voltou a figurar entre as áreas protegidas mais ameaçadas pelo desmatamento na Amazônia. No último trimestre de 2025, a unidade apareceu como a segunda mais ameaçada entre as Unidades de Conservação (UCs) estaduais, segundo o relatório Ameaça e Pressão em Áreas Protegidas, divulgado pelo Imazon.
A área já havia ocupado posição semelhante entre outubro e dezembro de 2024, quando liderou o ranking das UCs estaduais mais ameaçadas.
Santuário das árvores gigantes da Amazônia
Localizada no Pará, a Floresta Estadual do Paru integra o maior bloco contínuo de unidades de conservação e terras indígenas do planeta. O território abriga a maior árvore da América Latina: um angelim-vermelho que alcança 88,5 metros de altura — além de outros exemplares de árvores gigantes, tornando-se um verdadeiro santuário da biodiversidade.
De acordo com Jakeline Pereira, diretora do Programa de Áreas Protegidas do Imazon, a região tem papel estratégico na preservação ambiental.
“Além de proteger espécies únicas da fauna e flora, a área é essencial para o equilíbrio climático e para o fornecimento sustentável de produtos florestais madeireiros e não madeireiros, como a castanha, que garantem renda às populações locais”, destacou.
Como o levantamento identifica áreas ameaçadas
Diferentemente do Sistema de Alerta de Desmatamento (SAD), que mede a área total devastada, o relatório utiliza uma metodologia própria. A Amazônia Legal é dividida em células de 10 km por 10 km, permitindo identificar:
Áreas mais pressionadas: onde o desmatamento já ocorre dentro do território;
Áreas mais ameaçadas: onde há concentração de desmatamento no entorno, num raio de até 10 km.
Segundo a pesquisadora Bianca Santos, antecipar esse cenário é essencial para evitar invasões e consolidar ações preventivas.
Reserva Chico Mendes lidera áreas sob pressão
Entre as áreas protegidas mais pressionadas da Amazônia, a Reserva Extrativista Chico Mendes foi a mais impactada pela derrubada interna entre outubro e dezembro de 2025.
Apesar de uma redução aproximada de 40% no número de células com registros de desmatamento em comparação ao mesmo período de 2024, a unidade manteve a liderança no ranking.
Para Carlos Souza Jr., pesquisador do Imazon, quando o desmatamento já ocorre dentro da unidade, o impacto atinge diretamente comunidades tradicionais que dependem da floresta para sobreviver.
Pará concentra maior número de áreas afetadas
O levantamento revela forte concentração de alertas no Pará, que registrou seis áreas protegidas sob pressão e sete entre as mais ameaçadas.
Entre elas, destaca-se a Floresta Nacional de Saracá-Taquera, que apareceu no topo da análise das áreas sob maior risco.
Terras indígenas continuam sob risco
O relatório também aponta que as Terras Indígenas Trincheira/Bacajá e Arara foram as mais ameaçadas no período analisado. Já entre as mais pressionadas estão:
TI Cachoeira Seca do Iriri
TI Waimiri Atroari
Sete das dez TIs mais ameaçadas já apareciam no ranking do mesmo período em 2024, evidenciando a persistência da pressão ambiental.
Segundo Bianca Santos, a recorrência nos levantamentos demonstra que a destruição não é pontual, mas parte de um processo contínuo que exige ações imediatas e permanentes de fiscalização.
*Com informações Imazon
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