COP 30 – O Grupo Liberal promoveu, nesta quinta-feira (22), a segunda edição do Lib Talks 2026, em sua sede no bairro do Marco, em Belém. Com o tema “O ‘Day After’ da COP 30: Legado Real vs. Expectativa”, o encontro reuniu especialistas para avaliar os efeitos concretos da conferência climática da ONU na Amazônia, dois meses após o encerramento do evento.
O debate foi mediado por Ney Messias Jr. e concentrou-se nas transformações urbanas, nos desafios ambientais e nas oportunidades de negócios sustentáveis para a região.
Urbanismo e risco de repetir exclusões históricas
O arquiteto e urbanista Juliano Ximenes, professor da Universidade Federal do Pará (UFPA), abriu o painel questionando a narrativa de uma suposta “nova Belle Époque” em Belém após a COP 30. Para ele, é essencial avaliar as intervenções urbanas sob a ótica da função social e da qualidade de vida, evitando a reprodução de desigualdades históricas.
Ximenes alertou que a idealização desse período ignora episódios marcados por racismo, exclusão social e negação da identidade cultural amazônica. Segundo o especialista, repetir esse modelo pode aprofundar desigualdades em vez de gerar desenvolvimento inclusivo.
Construção civil e saúde ambiental
O arquiteto também chamou atenção para o impacto ambiental da construção civil, responsável por cerca de 35% das emissões globais de gases de efeito estufa. Ele criticou modelos de obras urbanas que priorizam concreto e asfalto, em detrimento de soluções mais vegetadas e adaptadas ao clima amazônico.
Para Ximenes, o principal problema ambiental do Brasil está relacionado ao uso da terra, envolvendo grilagem, desmatamento ilegal e ausência de políticas estruturantes. Nesse contexto, grandes intervenções urbanas podem agravar o cenário climático se não forem planejadas com critérios ambientais rigorosos.
Bioeconomia como estratégia de longo prazo
A bioeconomia foi apontada como um dos caminhos mais promissores para o desenvolvimento sustentável da Amazônia. Paulo Reis, presidente da Assobio, destacou o potencial do setor farmacêutico como o “próximo ouro” da floresta.
Ele citou ativos naturais como o jaborandi e a ibogaína, utilizados em tratamentos oftalmológicos e terapias para dependência química, e alertou para o risco de a população local não se apropriar dos benefícios econômicos e tecnológicos gerados a partir da COP 30.
Mamorana: ativo invisível da floresta
Durante a mediação, Ney Messias Jr. apresentou a mamorana, fruto típico da região do Combu, como exemplo de ativo regenerativo ainda pouco explorado. Conhecida como “falso cacau”, a mamorana possui alto teor antioxidante, superior ao do açaí e do cacau, mas segue fora do radar do mercado formal de bioeconomia.
Para o mediador, o desconhecimento sobre ativos como a mamorana evidencia o potencial econômico ainda inexplorado da biodiversidade amazônica, que pode gerar inovação, renda e desenvolvimento sustentável se integrado a políticas públicas e investimentos estruturados.
*Com informações O Liberal
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