Agronegócio – O Instituto de Desenvolvimento Agropecuário e Florestal Sustentável do Estado do Amazonas (Idam) destacou o trabalho de 12 famílias produtoras de cacau do município de Guajará, no rio Juruá, após o reconhecimento internacional do chocolate Caputo’s Wild Juruá, premiado com Gold no Sofi Awards 2026, uma das mais importantes premiações do setor de alimentos especiais no mundo.
A cerimônia ocorreu no dia 13 de janeiro, em San Diego, nos Estados Unidos. O prêmio representa um marco para o cacau amazônico, ao reconhecer a qualidade, a origem sustentável e o valor agregado da produção extrativista da região.
O chocolate premiado é produzido pela chocolatier brasileira Luisa Abram, utilizando cacau selvagem fornecido por famílias da comunidade Novo Horizonte, no rio Juruá.
Produção sustentável e protagonismo das famílias extrativistas
De acordo com o gerente da Unidade Local do Idam em Guajará, Izaquiel Oliveira, as famílias participam diretamente de todas as etapas do processo produtivo.

“Esse chocolate é fruto do trabalho sustentável de 12 famílias extrativistas do rio Juruá, que atuam na coleta, fermentação e comercialização das amêndoas de cacau nativo, garantindo qualidade e preservação ambiental”, destacou.
Desde 2016, o trabalho é desenvolvido em parceria com a SOS Amazônia, por meio do Projeto Valores da Amazônia, que capacitou ribeirinhos para aprimorar técnicas de manejo, fermentação e secagem do cacau selvagem, criando uma alternativa econômica ao extrativismo tradicional da borracha.
Assistência técnica e acesso ao mercado
O Idam atua de forma contínua na região, oferecendo Assistência Técnica e Extensão Rural (Ater), orientações sobre boas práticas do extrativismo sustentável e suporte técnico para garantir a qualidade do produto.
“O instituto realiza a classificação do cacau com técnico credenciado junto ao Ministério da Agricultura e Pecuária (Mapa), assegurando toda a documentação necessária para o transporte e a comercialização das amêndoas”, explicou Izaquiel Oliveira.

Cacau nativo como vetor de desenvolvimento sustentável
Segundo o Idam, o cenário do cacau em Guajará é promissor e baseado majoritariamente na produção nativa e extrativista, o que tem despertado crescente interesse do mercado nacional e internacional por chocolates de origem e alto valor agregado.
“O cacau amazônico de Guajará já alcançou preços recordes em negociações recentes. É um produto que valoriza a floresta em pé, contribui para a recuperação de áreas degradadas e complementa a renda das famílias, abrindo portas para o mercado premium e internacional”, afirmou o gerente.
A experiência do rio Juruá consolida o cacau nativo como uma alternativa econômica sustentável, que alia conservação ambiental, inclusão social e reconhecimento global da biodiversidade amazônica.
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