Bioeconomia – O cultivo de açaí em Roraima vem ganhando novo impulso com uma estratégia que vai além do plantio: produtores rurais estão investindo na industrialização da própria produção para agregar valor e garantir crescimento sustentável.
Com o uso de tecnologia e sistemas de irrigação, o açaí passou a ser cultivado também em áreas de lavrado, permitindo colheitas durante todo o ano. Esse avanço cria condições para ampliar o beneficiamento da fruta e fortalecer a cadeia produtiva no estado.
Produção no lavrado amplia oportunidades
A adaptação do açaí a áreas antes pouco exploradas para esse tipo de cultivo representa uma nova fase da agricultura roraimense. Pequenos e médios produtores passaram a diversificar a produção e gerar renda contínua.
Um exemplo é o produtor Almir Sá, que cultiva 18 hectares de açaí em área de lavrado. As mudas foram trazidas do Pará, referência nacional na produção da fruta, e o plantio conta com irrigação para garantir desenvolvimento fora das áreas tradicionais de floresta.
Segundo o produtor, a aposta em tecnologia e sustentabilidade tem trazido resultados positivos, já com quatro colheitas realizadas e planos de expansão da área plantada.
Beneficiamento agrega valor e fortalece mercado local
Além do cultivo, produtores também investem na industrialização do açaí. No município do Cantá, Paulo Serra mantém uma pequena indústria em Boa Vista, onde transforma o fruto em polpa para comercialização.
O processo inclui:
Seleção dos frutos
Lavagem e retirada de impurezas
Branqueamento (etapa essencial para segurança alimentar)
Extração da polpa
O produtor destaca que o desafio atual é ampliar a conscientização sobre a importância do branqueamento, fundamental para prevenir contaminações e garantir qualidade ao consumidor.
A estratégia de investir no beneficiamento permite maior controle da produção, geração de empregos e fortalecimento do mercado local.
Modernização da agricultura no estado
O avanço do açaí no lavrado reflete um movimento maior de modernização da agricultura em Roraima, com uso de irrigação, assistência técnica e integração entre produção e indústria.
A combinação entre tecnologia no campo e agregação de valor na cidade cria um modelo mais sustentável e competitivo para o agronegócio regional.
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