Comércio – Os portos brasileiros encerraram 2025 com o maior volume de movimentação de cargas já registrado no país, consolidando uma trajetória contínua de crescimento do setor. Entre janeiro e novembro, mais de 1,28 bilhão de toneladas foram movimentadas, resultado aproximadamente 5% superior ao observado no mesmo período de 2024, segundo dados do Ministério de Portos e Aeroportos e da Agência Nacional de Transportes Aquaviários (ANTAQ).
O desempenho confirma a logística marítima como um dos principais pilares da economia nacional e como o principal elo de integração do Brasil com o comércio internacional. O avanço foi observado nos maiores complexos portuários do país, com destaque para o Porto de Santos, que ultrapassou 186 milhões de toneladas movimentadas, alcançando o maior volume de sua história.

O Porto de Paranaguá também apresentou crescimento expressivo, superior a 10%, impulsionado principalmente pelas exportações do agronegócio. Outros terminais estratégicos, como Itaqui e Suape, ampliaram sua participação no escoamento de grãos, combustíveis e cargas gerais, fortalecendo sua relevância regional e nacional dentro do sistema logístico brasileiro.
Para o presidente da Fundação Memória do Transporte (FuMTran), Antonio Luiz Leite, os números refletem um processo histórico de consolidação da infraestrutura portuária brasileira. Segundo ele, desde o período colonial até os ciclos mais recentes de industrialização, agronegócio e mineração, os portos sempre exerceram papel central na organização econômica do país. “Os investimentos estruturais, os ajustes regulatórios e a evolução da integração logística explicam os ganhos de eficiência e capacidade observados atualmente”, afirma.
A FuMTran atua na preservação e difusão da memória do transporte brasileiro em todos os modais, incluindo o setor aquaviário. Em 2025, a instituição realizou registros históricos e entrevistas com profissionais do transporte marítimo, contribuindo para documentar a evolução operacional e tecnológica dos portos nacionais.
Na avaliação de Leite, o recorde alcançado em 2025 também é resultado do amadurecimento dos modelos operacionais e da maior articulação entre os modais de transporte. “Os portos passaram a operar de forma mais especializada, com maior incorporação de tecnologia, automação de processos e coordenação logística, o que elevou a produtividade e reduziu gargalos”, observa.
Para o dirigente, os resultados históricos devem servir como referência para o planejamento de longo prazo do setor. “O desempenho dos portos evidencia o enorme potencial logístico do Brasil, mas também reforça a necessidade de investimentos contínuos e visão estratégica para garantir um crescimento sustentável e integrado da logística marítima”, conclui.
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