Tecnologia e Inovação – O Brasil alcançou um marco inédito na ciência com a primeira clonagem de um porco voltada a pesquisas de transplantes. O feito foi realizado por pesquisadores da Universidade de São Paulo, que celebram o nascimento saudável do animal em laboratório.
O leitão nasceu com 2,5 quilos no Instituto de Zootecnia, em Piracicaba, representando um avanço importante para estudos na área de transplantes de órgãos.
Avanço científico no Brasil
A clonagem faz parte de um projeto do Centro de Ciência para o Desenvolvimento em Xenotransplante, que busca desenvolver alternativas para suprir a alta demanda por órgãos no país.
Atualmente, cerca de 48 mil brasileiros aguardam por um transplante, o que reforça a importância de novas soluções científicas.
O que é xenotransplante?
O estudo está ligado ao Xenotransplante, técnica que consiste na transferência de órgãos entre espécies diferentes.
Os porcos são considerados ideais para esse tipo de procedimento por apresentarem órgãos com características semelhantes às humanas, tanto em tamanho quanto em funcionamento.
Engenharia genética aumenta compatibilidade
As pesquisas na área evoluíram significativamente nas últimas décadas. Cientistas identificaram genes responsáveis pela rejeição imediata dos órgãos e passaram a:
Desativar genes suínos ligados à rejeição
Inserir genes humanos para aumentar compatibilidade
Desenvolver técnicas de modificação celular avançadas
A equipe da USP domina essas técnicas desde 2022, dando um passo essencial para o avanço do projeto.
Clonagem é etapa mais complexa
Apesar dos avanços, a clonagem de suínos ainda é um processo altamente desafiador.
Segundo o pesquisador Ernesto Goulart, a taxa de sucesso varia entre 1% e 5%, mesmo em laboratórios experientes.
Após diversas tentativas, os cientistas conseguiram levar a gestação até o fim, resultando no nascimento do primeiro animal clonado no país com esse objetivo.
Próximos passos da pesquisa
Até agora, os testes foram realizados com animais sem modificação genética. O próximo passo será clonar embriões geneticamente modificados, etapa essencial para viabilizar transplantes no futuro.
De acordo com Jorge Kalil, o avanço é significativo, mas ainda há desafios até a aplicação prática da tecnologia.
Futuro dos transplantes
A expectativa dos pesquisadores é que, no futuro, o xenotransplante possa ajudar a reduzir a fila por órgãos no Brasil, especialmente no sistema público de saúde.
O avanço coloca o país em destaque no cenário científico e abre caminho para uma nova era na medicina regenerativa.
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