Meio Ambiente – As Unidades de Conservação (UCs) da Amazônia alcançaram, em 2025, o menor nível de desmatamento desde 2014, segundo dados do Sistema de Alerta de Desmatamento (SAD), do Instituto do Homem e Meio Ambiente da Amazônia (Imazon). Entre janeiro e dezembro, as áreas protegidas perderam 166 km² de floresta, uma redução de 38% em relação a 2024.
O volume registrado representa apenas 6% de todo o desmatamento ocorrido no bioma amazônico em 2025, que somou 2.741 km². Do total desmatado nas UCs, 109 km² (4%) ocorreram em áreas sob gestão estadual e 57 km² (2%) em unidades federais.
O resultado também evidencia uma queda expressiva quando comparado ao pico recente da destruição. Em 2022, as unidades de conservação da Amazônia haviam perdido 1.214 km² de vegetação, o maior índice já registrado nessas áreas. Em relação a esse período, a redução em 2025 chega a 86%.
Para a pesquisadora do Imazon, Larissa Amorim, os dados indicam que o Brasil avança no cumprimento das metas ambientais internacionais.
“Os números mostram que o país está no caminho certo para alcançar o desmatamento zero até 2030, o que é essencial para reduzir emissões de gases de efeito estufa, preservar a biodiversidade, manter o regime de chuvas e garantir benefícios ambientais e econômicos, inclusive para o agronegócio”, avalia.
📉 Queda histórica na degradação florestal
Além do desmatamento, a degradação florestal — processo menos visível, mas igualmente prejudicial — também apresentou recuo significativo em 2025. Após atingir 36,3 mil km² em 2024, impulsionada principalmente por queimadas, a degradação caiu para 4,4 mil km² no último ano, representando uma redução de 88%.
Terras Indígenas reforçam papel na proteção da floresta
As Terras Indígenas também registraram queda no desmatamento. Em 2025, foram desmatados 44 km² nesses territórios, uma redução de 20% em comparação a 2024, respondendo por apenas 2% do total desmatado na Amazônia.
Segundo o pesquisador do Imazon, Carlos Souza Jr., os dados reforçam a eficácia desses territórios na contenção da destruição ambiental.
“Historicamente, as unidades de conservação e as terras indígenas funcionam como barreiras reais contra o avanço do desmatamento. Por isso, é fundamental ampliar a destinação de áreas ainda sem uso definido para esse tipo de proteção”, afirma.
Panorama das áreas protegidas na Amazônia Legal
Dados consolidados pelo IBGE no final de 2025 apontam que a Amazônia Legal conta atualmente com 430 unidades de conservação, que ocupam cerca de 1,2 milhão de km² de área continental e 26 mil km² de área marinha. Desse total, 171 unidades (39,77%) são de Proteção Integral e 259 (60,23%) de Uso Sustentável.
Já as informações da Funai, também consolidadas pelo IBGE, indicam a existência de 378 Terras Indígenas na Amazônia Legal, ocupando aproximadamente 1,1 milhão de km². Destas, 331 estão regularizadas, enquanto outras permanecem em diferentes fases de demarcação ou proteção especial, incluindo áreas destinadas à preservação de povos indígenas isolados.
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