DESTAQUE – A Coordenação das Organizações Indígenas da Amazônia Brasileira (Coiab) manifestou preocupação com o cenário de violência enfrentado pelos povos indígenas da região após a divulgação do Atlas da Violência 2026. A entidade afirma que, apesar da redução dos índices gerais de homicídios no Brasil, as comunidades indígenas continuam submetidas a um contexto marcado por conflitos territoriais, violações de direitos humanos e avanço de atividades ilegais em seus territórios.
Segundo análise elaborada pela Assessoria Jurídica Indígena da Coiab, a violência registrada em áreas indígenas está diretamente relacionada à expansão do crime organizado, do garimpo ilegal, do narcotráfico e da exploração irregular de recursos naturais. A organização ressalta que os impactos vão além dos homicídios, incluindo ameaças, perseguições, intimidações e invasões recorrentes de terras indígenas.
O documento destaca ainda o agravamento da situação em estados da Amazônia, especialmente Amazonas e Roraima, onde a presença de atividades ilícitas e disputas fundiárias tem ampliado a vulnerabilidade das populações indígenas.
Conflitos territoriais agravam insegurança
De acordo com a Coiab, lideranças indígenas, defensores ambientais e comunicadores indígenas estão entre os grupos mais expostos à violência provocada pelo avanço de organizações criminosas na região.
A entidade aponta que a insuficiência das ações de fiscalização e proteção territorial, aliada à lentidão nos processos de demarcação de terras indígenas, contribui para o aumento da insegurança e favorece a atuação de invasores.
A organização lembra que os direitos dos povos indígenas são garantidos pela Constituição Federal de 1988, que reconhece os direitos originários sobre as terras tradicionalmente ocupadas e atribui à União a responsabilidade pela proteção desses territórios.
Para a Coiab, a persistência da violência está associada a fatores históricos e estruturais, como conflitos fundiários, fortalecimento das economias ilegais, expansão de facções criminosas e fragilidade das políticas públicas voltadas à proteção territorial.
Entidade cobra ações permanentes
Diante do cenário apresentado pelo Atlas da Violência 2026, a Coiab defende medidas estruturais para enfrentar a violência contra os povos indígenas.
Entre as ações consideradas prioritárias estão a aceleração dos processos de demarcação de terras indígenas, o fortalecimento dos órgãos de fiscalização, a proteção permanente de lideranças ameaçadas e o combate ao garimpo ilegal, à grilagem de terras e ao narcotráfico.
A entidade também reforça a necessidade de ampliar as investigações e combater a impunidade em casos de violência contra indígenas.
No campo internacional, a organização lembra que o Brasil possui compromissos assumidos em acordos e convenções que garantem direitos relacionados à vida, à integridade física, ao território e à proteção contra discriminação e violência.
Para a Coiab, as soluções para o problema exigem políticas públicas permanentes voltadas à garantia dos direitos territoriais, à proteção ambiental e ao fortalecimento da autonomia dos povos indígenas da Amazônia.
Atlas da Violência aponta vulnerabilidade indígena
Produzido anualmente pelo Instituto de Pesquisa Econômica Aplicada (Ipea) em parceria com o Fórum Brasileiro de Segurança Pública (FBSP), o Atlas da Violência é uma das principais referências nacionais sobre segurança pública.
A edição de 2026, divulgada em maio, revelou que os povos indígenas registraram taxa de homicídios 22% superior à média nacional em 2024, reforçando os alertas sobre a vulnerabilidade dessas populações e os desafios para garantir segurança e proteção nos territórios indígenas da Amazônia.
*Com informações da Coiab
Foto: reprodução
Leia também:
BNDES obtém R$ 1 bilhão da Espanha para financiar projetos sustentáveis no Brasil







