TRANSIÇÃO ENERGÉTICA – O uso do gás natural como fonte energética no Amazonas evitou a emissão de aproximadamente 75 milhões de toneladas de gases de efeito estufa (GEE) ao longo dos últimos anos. O dado foi divulgado pela Companhia de Gás do Amazonas (Cigás) e evidencia a importância do combustível na estratégia de transição energética do estado.
Segundo a companhia, a redução das emissões está diretamente relacionada à expansão do uso do gás natural em termelétricas, indústrias, estabelecimentos comerciais, residências e veículos, substituindo combustíveis mais poluentes, como diesel e óleo combustível.
O Amazonas concentra a maior reserva terrestre de gás natural do Brasil e conta com uma das principais infraestruturas de distribuição da Região Norte, sustentada pelo gasoduto Urucu-Coari-Manaus e pela atuação da Cigás.
Combustível de transição ganha protagonismo
Especialistas do setor energético apontam o gás natural como uma importante alternativa durante o processo de transição para uma matriz energética de menor impacto ambiental.
Embora não seja uma fonte renovável, o combustível apresenta emissões menores de dióxido de carbono e de poluentes atmosféricos quando comparado a outros derivados fósseis amplamente utilizados na geração de energia.
No Amazonas, a substituição gradual de usinas termelétricas movidas a diesel por unidades abastecidas com gás natural permitiu reduzir significativamente os impactos ambientais da geração elétrica. Estudos indicam que essa troca pode diminuir em cerca de 37% as emissões de carbono em comparação aos sistemas baseados exclusivamente em óleo diesel.
Setor elétrico lidera consumo de gás no estado
A maior parte do gás natural distribuído no Amazonas é destinada à geração de energia elétrica. O segmento termelétrico concentra a maior parcela do consumo estadual e atende tanto a capital quanto municípios do interior.
Cidades como Coari, Codajás, Anori, Anamã e Caapiranga estão entre as localidades beneficiadas pelo fornecimento do combustível, que contribui para garantir maior segurança energética e menor impacto ambiental.
De acordo com a Cigás, a geração elétrica responde pela maior parcela das emissões evitadas contabilizadas no levantamento. Em estudos anteriores, a companhia já havia apontado que mais de 6,2 milhões de toneladas de gases de efeito estufa deixaram de ser emitidas entre 2010 e 2023.
Interiorização amplia benefícios ambientais
A expansão da rede de distribuição para municípios do interior é considerada um dos principais fatores para o crescimento dos benefícios ambientais associados ao uso do gás natural.
Em regiões isoladas da Amazônia, onde o transporte de combustíveis líquidos representa elevados custos logísticos, o gás natural tem se consolidado como alternativa mais eficiente e menos poluente para geração de energia.
Além da redução das emissões de carbono, especialistas destacam a diminuição da liberação de material particulado e outros poluentes atmosféricos que podem afetar a saúde da população.
Amazonas aposta no gás para impulsionar desenvolvimento
O governo estadual e o setor energético veem o gás natural como um dos pilares para o desenvolvimento econômico e industrial do Amazonas.
Atualmente, o estado produz cerca de 14 milhões de metros cúbicos de gás natural por dia, volume que representa aproximadamente 10% da produção nacional.
Novos investimentos em infraestrutura, expansão da rede de distribuição e ampliação da capacidade operacional da Cigás estão entre as iniciativas voltadas ao fortalecimento do setor e ao aumento do número de consumidores nos próximos anos.
Debate sobre transição energética continua
Apesar dos avanços ambientais associados ao uso do gás natural, especialistas lembram que o combustível ainda gera emissões de carbono e não pode ser considerado uma fonte de energia limpa ou renovável.
Por esse motivo, o gás é visto como uma solução intermediária dentro de uma estratégia mais ampla de transição energética, especialmente em regiões que enfrentam desafios logísticos e limitações para a implantação imediata de fontes renováveis em larga escala.
Nesse cenário, os números divulgados pela Cigás reforçam a contribuição do gás natural para a redução das emissões e para a construção de um modelo energético mais sustentável na Amazônia.
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