Meio Ambiente – A Amazônia já começa a enfrentar cenários climáticos antes previstos apenas para as próximas décadas. Dois estudos recentes liderados por cientistas do Instituto Nacional de Pesquisas Espaciais (Inpe) indicam que a região registra secas mais longas, mudanças no regime de chuvas e aumento do déficit hídrico.
Segundo as pesquisas, a estação seca pode ter se ampliado de quatro para até seis meses em algumas áreas da Amazônia brasileira. O prolongamento eleva os riscos para a biodiversidade, para os reservatórios naturais de água e para o equilíbrio climático da floresta.
Um dos estudos, publicado no International Journal of Climatology, aponta maior instabilidade climática e aumento de eventos extremos fora do padrão sazonal. O trabalho também relaciona o cenário ao avanço da degradação florestal causada por incêndios.
Outro levantamento, divulgado na revista Perspectives in Ecology and Conservation, analisou a seca entre 2023 e 2024 e identificou crescimento médio de 9% nas áreas queimadas e 19% nos alertas de degradação florestal, com até 4,2 milhões de hectares afetados pelo fogo.
Os cientistas alertam ainda para 2026 e 2027, anos em que existe possibilidade de ocorrência de um “super El Niño”, fenômeno que aquece as águas do Pacífico e pode alterar chuvas e temperaturas em escala global.
A pesquisadora Débora Dutra, do Inpe, destacou que eventos extremos antes considerados futuros já estão acontecendo no presente. Especialistas reforçam que políticas públicas integradas e ações de combate às mudanças climáticas serão essenciais para preservar a floresta e reduzir impactos sociais e econômicos.
Foto: reprodução
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