Comércio – A escalada das tensões entre Irã, Israel e Estados Unidos recoloca o risco geopolítico no radar do agronegócio brasileiro. Embora não haja, até o momento, suspensão formal de contratos comerciais, representantes do setor avaliam que os impactos podem surgir de forma indireta, principalmente por meio do aumento de custos logísticos, volatilidade cambial e pressão sobre insumos energéticos.
O Oriente Médio ocupa posição estratégica na pauta agropecuária brasileira. Dados do Ministério do Desenvolvimento, Indústria, Comércio e Serviços indicam que milho, açúcar e carnes de aves estão entre os principais produtos exportados para a região. As carnes de frango e miúdos comestíveis representam 14,5% das exportações brasileiras destinadas a esses mercados, ficando atrás apenas de milho e açúcar.
A dependência regional de importações de proteína animal mantém a demanda aquecida. No entanto, o setor aponta que a preocupação não está na absorção do produto, mas na previsibilidade operacional.
Logística no centro das incertezas
A atenção do mercado se volta para corredores marítimos estratégicos, como o Estreito de Ormuz e o Mar Vermelho, rotas essenciais para o transporte global de energia e mercadorias. Qualquer instabilidade nesses pontos pode elevar os custos de frete, aumentar prêmios de seguro e provocar atrasos nas entregas.
Em nota, a Associação Brasileira de Proteína Animal (ABPA) informou que acompanha a evolução do cenário e avalia rotas alternativas já utilizadas em crises anteriores na região. A entidade destacou ainda que não há embarques significativos de carne de frango para o Irã, o que reduz impactos diretos sobre contratos bilaterais.
O efeito, portanto, tende a ser sistêmico, afetando o comércio global e a estrutura de custos do setor.
Petróleo e energia como vetores de impacto
O Oriente Médio é central na oferta mundial de petróleo. Em momentos de instabilidade, o preço da commodity costuma reagir, influenciando o custo do bunker — combustível utilizado por navios — além de impactar o transporte terrestre e a produção industrial.
Análise da consultoria Farmnews aponta que a principal via de transmissão da crise para o agronegócio brasileiro deve ocorrer por meio da energia e dos fertilizantes.
Para o setor de carne de frango, que já opera com margens ajustadas e forte concorrência internacional, qualquer aumento no frete ou atraso logístico pode reduzir competitividade. A mesma lógica se aplica às exportações de milho e açúcar.
No curto prazo, exportadores monitoram contratos de transporte e buscam alternativas logísticas. No médio prazo, a trajetória do petróleo e a estabilidade das rotas marítimas devem determinar o impacto real sobre custos e margens.
Até o momento, o fluxo comercial segue sem interrupções formais. O desafio está no custo de manter esse fluxo em um ambiente global de risco elevado.
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