Meio Ambiente – Mais de 5 mil tracajás (Podocnemis unifilis) foram devolvidos à natureza na Reserva de Desenvolvimento Sustentável (RDS) Igapó-Açu, no Amazonas. A soltura foi realizada entre os dias 20 e 22 de fevereiro pela Secretaria de Estado do Meio Ambiente do Amazonas (Sema) e reuniu comunitários, instituições parceiras e visitantes na unidade de conservação localizada no km 260 da BR-319, entre os municípios de Beruri, Borba e Manicoré.
Ao todo, 5.255 quelônios foram soltos. Desse total, 2.308 são provenientes da comunidade Nova Geração e 2.947 da comunidade São Sebastião do Igapó-Açu.
A ação integra o programa de manejo participativo desenvolvido na unidade de conservação e já se consolidou como uma das principais iniciativas de preservação ambiental da região.

Taxa de eclosão é uma das maiores em 16 anos
A edição deste ano registrou quase 80% de taxa de eclosão, uma das mais altas desde o início do manejo na RDS Igapó-Açu, há 16 anos. O número de filhotes soltos também apresentou crescimento de 6,7% em relação a 2025.
Segundo os organizadores, os resultados demonstram a eficácia do modelo de conservação baseado na participação ativa das comunidades locais.
Manejo comunitário aumenta chances de sobrevivência
A metodologia aplicada é desenvolvida pelo Projeto Pé-de-Pincha, coordenado pela Universidade Federal do Amazonas (Ufam), que atua há mais de 25 anos em aproximadamente 180 comunidades do estado.
De acordo com dados do projeto, sem o manejo adequado a taxa natural de sobrevivência dos quelônios após o nascimento é de cerca de 1%. Com o acompanhamento técnico e comunitário, esse índice pode alcançar 18%, ampliando significativamente as chances de manutenção da espécie.
O processo inclui coleta de ovos nas praias naturais, transporte para chocadeiras protegidas, incubação por cerca de 60 dias, biometria dos filhotes e permanência em berçários antes da soltura.
Conservação e geração de renda caminham juntas
Além do impacto ambiental, a soltura dos tracajás também fortalece o turismo de base comunitária e gera renda para moradores do chamado “trecho do meio” da BR-319.
A atividade mobiliza visitantes e parceiros institucionais, estimulando a economia local e reforçando o chamado tripé da sustentabilidade: social, econômico e ambiental.
A expectativa é que a ação se consolide como roteiro permanente de turismo sustentável na região.
Parcerias institucionais
A iniciativa conta com apoio de diversas instituições, entre elas:
Instituto Brasileiro do Meio Ambiente e dos Recursos Naturais Renováveis (Ibama)
Departamento Nacional de Infraestrutura de Transportes (DNIT)
Instituto Acariquara
Instituto Claro
A ação também recebe recursos do Programa Áreas Protegidas da Amazônia (Arpa), coordenado pelo Ministério do Meio Ambiente e Mudança Climática e executado financeiramente pelo Funbio.
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