No cenário global da inovação sustentável, o Brasil anuncia avanços relevantes. Esses progressos resultam de pesquisas científicas e projetos voltados à ampliação da produção e do uso de combustíveis renováveis. Universidades, institutos de pesquisa e o setor privado, portanto, unem esforços em tecnologias que reduzem emissões de gases poluentes.
Além disso, essas iniciativas estimulam a geração de empregos e consolidam a bioeconomia como vetor estratégico do desenvolvimento nacional. Dessa forma, o país fortalece sua posição no debate internacional sobre transição energética.
Ciência aplicada fortalece a bioeconomia
A convergência de projetos voltados ao diesel verde, ao hidrogênio verde e ao biodiesel evidencia esse movimento. Essas iniciativas integram produção agrícola e indústria de baixo impacto ambiental. Ao mesmo tempo, fortalecem a ciência aplicada à sustentabilidade.
Especialistas destacam que essas soluções criam oportunidades econômicas relevantes. Assim, o Brasil passa a ocupar posição de destaque no desenvolvimento de tecnologias energéticas limpas.
Unicamp desenvolve tecnologia compacta para diesel verde
Na Universidade Estadual de Campinas (Unicamp), o projeto Ethanoil+ avança na produção de biodiesel e de diesel renovável, conhecido como diesel verde. A Faculdade de Engenharia Química conduz a iniciativa. O objetivo é reduzir custos, aumentar a sustentabilidade e viabilizar a produção local.
Segundo o professor Rubens Maciel Filho, coordenador do projeto, os processos atuais exigem grandes plantas industriais. No entanto, a equipe busca operar com uma estrutura equivalente a um contêiner. Dessa maneira, a tecnologia ganha modularidade e flexibilidade.
Com isso, torna-se possível produzir os combustíveis no próprio local de extração do etanol ou do óleo vegetal. Como resultado, o processo reduz as emissões de carbono associadas ao transporte.
Etapas do projeto e ganhos ambientais
O projeto segue dividido em duas fases. Na primeira, os pesquisadores aperfeiçoam etapas como transesterificação, separação e obtenção do diesel verde. Todas as fases atendem às normas da Agência Nacional do Petróleo, Gás Natural e Biocombustíveis (ANP).
Na segunda etapa, a equipe construirá um protótipo funcional. A unidade inicial deverá produzir cerca de 10 mil litros por dia. Além disso, a pesquisa já conta com uma patente da Unicamp.
Essa tecnologia permitirá produzir diesel verde capaz de substituir totalmente o diesel fóssil ou ser misturado a ele. Assim, o combustível oferece maior flexibilidade energética. Entre os benefícios ambientais, destacam-se a redução da pegada de carbono e a menor emissão de poluentes.
Hidrogênio verde amplia alternativas energéticas
Paralelamente, pesquisadores avançam na produção de hidrogênio verde a partir de fontes renováveis. O Centro Nacional de Pesquisa em Energia e Materiais (CNPEM), também em Campinas, lidera estudos nessa área.
Os pesquisadores utilizam água e energia solar no processo. Para isso, aplicam fotoeletrodos de hematita reforçados com alumínio e zircônio. Além disso, usam reatores modulares impressos em 3D.
Segundo Flávio Souza, coordenador do programa de hidrogênio do Laboratório Nacional de Nanotecnologia (LNNano), os resultados de laboratório já indicam viabilidade prática. A tecnologia permite sistemas modulares e estáveis. Dessa forma, abre caminho para a produção em escala.
Aplicações industriais e autonomia energética
O protótipo mantém eficiência mesmo em ambiente externo. Assim, pode ser instalado em áreas remotas, longe da rede elétrica convencional. Com isso, amplia-se a autonomia energética.
De acordo com o professor Juliano Bonacin, do Instituto de Química da Unicamp, o hidrogênio verde pode transformar a indústria. Entre as aplicações, ele cita a produção de aço sustentável, a substituição parcial do gás de cozinha e o abastecimento de veículos.
Além disso, o hidrogênio pode ser produzido durante o dia com placas solares. À noite, ele gera energia por meio de células de combustível. Dessa maneira, o processo contribui para metas de descarbonização e reduz emissões de gases de efeito estufa.
Compromissos globais e protagonismo do Brasil
Essas inovações acompanham compromissos assumidos pelo Brasil em fóruns internacionais. Durante a pré-COP e a COP 30, o país anunciou a meta de quadruplicar a produção e o uso desses combustíveis até 2035.
O objetivo reforça o protagonismo brasileiro na transição energética global. Além disso, foca setores de difícil descarbonização, como aviação, transporte marítimo e indústrias de aço e cimento.
O anúncio ocorreu junto à divulgação de relatório da Agência Internacional de Energia Renovável (Irena). O documento aponta que, apesar do recorde de 582 GW de capacidade renovável adicionada em 2024, o mundo ainda precisa acelerar o ritmo.
Na ocasião, André Corrêa do Lago, presidente da COP 30, destacou o desafio. Segundo ele, o avanço das renováveis é significativo, mas o aumento da eficiência energética permanece essencial para o cumprimento das metas globais.
Fonte: ESTADÃO







