Cabotagem banzeiro logística Amazônia

“E de quebra, vamos encurtar distâncias, baratear custos, gerar mais empregos e oportunidades como os britânicos fizeram e o bom senso recomenda para desenhar, compor e viabilizar o enredo do banzeiro na logística do ganha-ganha no leva e traz dos rios da Amazônia.”

O que é cabotagem e o ela representa para a logística competitiva da Zona Franca de Manaus? Este é um assunto que estamos debatendo desde sempre no âmbito das entidades de classe do Polo Industrial e Manaus, objeto do evento na FIEAM neste 21 de Março. Mais uma iniciativa de caráter coletivo em favor do desenvolvimento regional. O termo cabotagem, só para sublinhar, traduz a movimentação do transporte de cargas realizado entre os portos ou municípios no âmbito do território nacional, através dos das vias navegáveis disponíveis. Este foi o modal que viabilizou a exploração dos recursos do extrativismo na Amazônia, com ênfase na borracha e contribuição decisiva da castanha-do-Pará, madeiras, minérios, entre diversos itens que agregaram 45% de PIB do Brasil por três décadas e agregou 60% de valor à economia inglesa a partir da tecnologia de manufatura e da cultura extensiva da seringueira sem fungos nos domínios tropicais britânicos na Ásia.

 

O modal dos transportes e dos benefícios

Para um país que tem 8000 km de costas litorâneas e 20.000 km de vias navegáveis na Amazônia, não resta dúvida que se trata de um modal de transporte com o cardápio enorme de benefícios e sustentabilidade. No caso dos rios amazônicos, considerando o fenômeno anual da enchente e estiagem no nível das águas, há que se investir no balizamento e eventual dragagem para estabelecimento das hidrovias e assegurar navegação nos dois períodos, ou seja, o ano inteiro. E por que não fomos objeto dessa contrapartida federal, historicamente, considerando nossa contribuição robusta aos cofres da União? É hora de trabalharmos juntos para conquistar este direito justo e transparente que vai beneficiar não apenas a economia local como fortalecer o volume de contribuições ao tesouro por parte da economia do polo industrial de Manaus e demais setores do setor  produtivo?

 

Olhando pelo retrovisor da História

Aqui vamos constatar que foram gerados tantos recursos aos cofres britânicos com os investimentos na construção de navios adaptados às peculiaridades amazônicas, nos estaleiros da Escócia na segunda metade do Século XIX, que eles compraram o projeto visionário do mega empreendedor Irineu Evangelista – o Visconde de Mauá – a Companhia de Navegação do Amazonas – e respectiva malha de cabotagem fundada por ele em 1853. Estava em jogo a abertura dos Rios da Amazônia ao comércio internacional. Passados quase dois séculos, Brasil permanece de costas para as oportunidades disponíveis na região e a potencialidade estratégica da logística dos transportes no modal fluvial.

 

Explicação plausível para o atraso

Por que é mais barato e mais rápido um fabricante asiático entregar seu televisor no Porto de Santos a partir de Xangai em relação ao mesmo televisor fabricado em Manaus no mesmo trajeto geográfico? Os gargalos logísticos dentro do Brasil traduzem a inoperância de seus gestores no trato da cabotagem. O aparato da burocracia é de uma máquina pública do período colonial e os interesses de alguns setores e atores econômicos comprometem os propósitos da brasilidade. Ou haverá, por acaso, explicação mais plausível para o nosso atraso?

 

Tecnologia e vontade política

Nós dispomos de tecnologia, mas somos capazes de desenvolvê-la, para assegurar a praticagem na movimentação das grandes embarcações e seus conteúdos decisivos à competitividade de infraestrutura. Tecnologia, mobilização dos atores locais do setor produtivo e vontade política é tudo de que precisamos para imprimir no sumário do desenvolvimento regional maior produtividade e competitividade aos empreendimentos na Amazônia. E de quebra, vamos encurtar distâncias, baratear custos, gerar mais empregos e oportunidades como os britânicos fizeram e o bom senso recomenda para desenhar, compor e viabilizar o enredo do banzeiro na logística do ganha-ganha no leva e traz dos rios pelos da Amazônia.