Agronegócio – O Brasil e o Equador deram um novo passo na cooperação científica voltada à agricultura ao firmarem uma parceria para desenvolver variedades de banana mais resistentes a doenças que ameaçam a produção mundial.
Representantes da Embrapa, do Ministério da Agricultura, Pecuária e Pesca do Equador e da Associação de Exportadores de Banana do Equador (Aebe) assinaram uma carta de intenções para estabelecer um acordo de cooperação técnica voltado ao melhoramento genético da bananeira.
O objetivo é desenvolver variedades do grupo Cavendish — conhecido popularmente como banana nanica — resistentes à raça 4 Tropical da murcha de Fusarium (Foc R4T), considerada a forma mais grave da doença causada pelo fungo Fusarium oxysporum f. sp. cubense.
A assinatura do documento ocorreu no Palácio do Itamaraty, em Brasília, e marca o início de uma cooperação estratégica entre os dois países para enfrentar uma das maiores ameaças à bananicultura mundial.
Doença preocupa produtores
A raça 4 Tropical da murcha de Fusarium é considerada uma das doenças mais destrutivas da cultura da banana. Atualmente, a praga já foi identificada em diversos países da Ásia, África e Oceania, além de nações da América do Sul, como Colômbia, Peru, Venezuela e Equador.
Embora ainda não tenha sido detectada no Brasil, a proximidade com países onde a doença já está presente mantém o setor produtivo em alerta constante.
O fungo pode ser disseminado por meio de solo contaminado, ferramentas agrícolas, calçados e mudas aparentemente saudáveis, o que dificulta seu controle e amplia o risco de propagação.
Importância para o Brasil
Segundo pesquisadores da Embrapa, desenvolver variedades resistentes é considerado uma estratégia essencial para proteger a produção nacional.
De acordo com o pesquisador Edson Perito Amorim, da Embrapa Mandioca e Fruticultura, o plantio de variedades resistentes em regiões onde a praga já está presente ajuda a reduzir o avanço do patógeno e diminui o risco de introdução da doença no Brasil.
“O desenvolvimento de variedades resistentes à Foc R4T é uma questão de segurança nacional para o Brasil”, destacou o pesquisador.
Produção de bananas nos dois países
O Equador é atualmente o maior exportador de bananas do mundo. Dados da Organização das Nações Unidas para a Alimentação e a Agricultura (FAO) apontam que o país exportou quase quatro milhões de toneladas da fruta em 2023.
Já o Brasil é um dos maiores produtores globais, com cerca de sete milhões de toneladas produzidas em 2024, segundo o Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE). Diferentemente do Equador, praticamente toda a produção brasileira é destinada ao consumo interno.
Pesquisas já mostram resultados
A Embrapa já obteve resultados importantes em pesquisas sobre resistência à doença. Estudos realizados em parceria com instituições internacionais comprovaram que duas variedades desenvolvidas pela instituição — BRS Princesa e BRS Platina — apresentam resistência natural à Foc R4T.
Com isso, o Brasil se tornou o único país das Américas atualmente preparado com cultivares resistentes à doença.
Cooperação internacional
A presidente da Embrapa, Silvia Massruhá, destacou que a cooperação com o Equador poderá acelerar o desenvolvimento de novas tecnologias agrícolas.
Segundo ela, a união entre instituições de pesquisa e o setor produtivo permitirá ampliar a geração de variedades mais resistentes e adaptadas às condições tropicais.
Além da pesquisa com bananas, as delegações também discutiram possíveis parcerias em outras áreas agrícolas, como estudos com cacau, transferência de tecnologias sociais e intercâmbio científico.
*Com informações Embrapa
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