A criação integrada de tambaqui com curimba se mostra uma alternativa mais sustentável para a produção de proteína animal na Amazônia.
Além disso, o sistema aumenta a produtividade em 25% quando as duas espécies são cultivadas juntas.
O levantamento é da Embrapa Pesca e Aquicultura (TO) e foi publicado na revista Aquaculture.
O estudo comparou a piscicultura integrada com a monocultura de tambaqui.
Sistema AMTI reduz impactos ambientais
A pesquisa analisou a Aquicultura Multitrófica Integrada (AMTI) por meio da Avaliação do Ciclo de Vida (ACV).
Nesse modelo, diferentes espécies são cultivadas no mesmo viveiro.
Assim, os nutrientes são reciclados de forma semelhante aos ecossistemas naturais.
Como resultado:
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O consumo de água caiu 38%
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A eutrofização da água doce reduziu 21%
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A ocupação de terra diminuiu 17%
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A emissão de gases caiu cerca de 9%
Além disso, a eficiência alimentar aumentou e os nutrientes passaram a ser melhor aproveitados.
Piscicultura usa menos terra que a pecuária
O estudo também comparou a piscicultura com outras atividades agropecuárias.
Para produzir 1 kg de proteína:
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A pecuária bovina usa 434,88% mais terra
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A suinocultura usa 72,09% mais
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A avicultura usa 48,84% mais
Portanto, a piscicultura integrada pressiona menos o meio ambiente e reduz a necessidade de novos desmatamentos.
Vantagens do cultivo de tambaqui com curimba
A curimba foi escolhida por seu perfil ecológico complementar ao tambaqui.
Ela se alimenta de restos de ração, plâncton e sedimentos do fundo do viveiro.
Com isso:
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Não prejudica o crescimento do tambaqui
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Aproveita resíduos que seriam descartados
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Gera proteína adicional
Mesmo com a mesma quantidade de ração, o sistema produziu 25% mais proteína por hectare.
Curimba não interfere na produção do tambaqui
Segundo a pesquisadora Adriana Ferreira Lima, a inclusão da curimba não altera o desempenho do tambaqui.
“A curimba é um peixe de fundo e consome sobras de alimento. Isso melhora o aproveitamento dos nutrientes sem prejudicar o tambaqui”, explicou.
Além disso, o manejo é semelhante ao monocultivo.
Logo, o produtor não precisa mudar sua rotina de trabalho.
Resultados econômicos para o produtor
No experimento, metade dos alevinos era de curimba e metade de tambaqui.
Ao final:
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O tambaqui atingiu 1,8 kg
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A curimba chegou a 200 g
Embora a curimba possa crescer mais, o produtor pode aguardar a despesca posterior.
Assim, o sistema continua viável economicamente.
Metodologia da pesquisa
O estudo foi realizado em viveiros de 600 m², com densidade semelhante à usada comercialmente.
Os pesquisadores consideraram:
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Produção dos peixes
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Ração
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Insumos
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Construção dos viveiros
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Cultivo da soja e do milho
Mesmo com todos esses fatores, a piscicultura apresentou impacto ambiental menor que outras atividades agropecuárias.
Integração reduz impactos ambientais
No monocultivo do tambaqui, a emissão é de 4,27 kg de CO₂ por quilo de peixe.
No sistema integrado, esse valor caiu para 3,9 kg.
Além disso, houve:
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Redução de 12% na acidificação
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Redução de 38,57% no consumo de água
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Redução de 13,30% na demanda de energia
Portanto, a integração é mais eficiente e sustentável.
Cultivo integrado cresce no Brasil
A ciência já mostra que os monocultivos não são a melhor alternativa.
Por isso, sistemas integrados ganham espaço na agricultura e na aquicultura.
No Sul e Sudeste, por exemplo, há integração de:
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Tilápia com camarão-da-Malásia
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Peixes com fruticultura
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Pecuária com agricultura
Quanto mais espécies no sistema, maior o aproveitamento dos nutrientes.
Curimba transforma resíduos em proteína
Hoje, o tambaqui aproveita apenas 30% a 40% do nitrogênio e fósforo.
O restante vai para a água ou para a atmosfera.
A curimba consome esses resíduos.
Assim, transforma o que seria lixo em proteína animal.
“Quanto mais espécies no sistema, maior é a eficiência da produção”, afirma a pesquisadora.
Potencial para novas combinações
Além do tambaqui e da curimba, outras espécies podem ser integradas.
O camarão Litopenaeus vannamei, por exemplo, consome resíduos da tilápia.
Dessa forma, a água retorna mais limpa ao ambiente.
Segundo os cientistas, ainda faltam estudos completos sobre todos os impactos.
“Há um longo caminho pela frente”, concluem.







