Os resultados preliminares apurados pela organização da ExpoAmazônia Bio&TIC 2022, realizada entre os dias 30 de junho e 2 de julho no Centro de Convenções Vasco Vasques, em Manaus (AM), demonstram que a iniciativa não apenas reuniu os atores locais, nacionais e internacionais dos segmentos de bioeconomia e de tecnologia da informação e comunicação (TIC) como também atraiu o interesse do público geral e integrou a sociedade a representantes públicos e privados que participaram do evento, seja como expositores, seja como palestrantes ou convidados especiais.

Foram registrados cerca de R$2,5 milhões em negócios fechados e mais de R$ 35 milhões em negócios prospectados no evento. Mais de 16 mil visitantes ao longo dos três dias de realização do evento, que contou com 61 estandes que compreenderam grandes empresas, institutos de ciência e tecnologia (ICTs) locais e de fora do estado, além de representações de entes estaduais e municipais do Brasil e da região (inclusive do interior, caso das representações dos municípios de Tefé e Novo Airão).

“Também participaram institutos socioambientais que desenvolvem trabalhos nas unidades de conservação, comunidades indígenas e cadeias produtivas agroflorestais, que dividiram o evento com cerca de 100 startups que atuam com diversas atividades, que variam desde o trabalho com motores elétricos para embarcações até produtos 3D, motos elétricas, biomembranas e órgãos sob encomenda, dentre tantas outras”, comentou o gestor do Centro de Biotecnologia da Amazônia (CBA), Fábio Calderaro.

Experiência inovadora

Um espaço que teve grande destaque entre os visitantes e os expositores foi o Mercado Amazônia, que, por meio da experiência de comercialização autônoma, proporcionou a pequenos produtores a oportunidade de participarem da ExpoAmazônia sem custos de adesão, arcando apenas com a logística de participação. Foram cerca de 30 expositores que apresentaram seus produtos – desde chocolates até cafés regionais, geleias, cosméticos e alimentos nutracêuticos – e contribuíram para diversificar o evento. A iniciativa permitiu retornos imediatos aos expositores, representando, para muitos, uma fonte de renda que vai permitir a continuidade de suas atividades por mais alguns meses.

Outro espaço atrativo foi o reservado para a economia criativa, com aproximadamente 30 expositores que atuam com artesanatos, produções de arte, objetos de decoração e vestuário, inclusive com utilização de matéria-prima regional, sendo alguns com tecidos biodegradáveis.

Trocas de conhecimento

Os espaços dedicados aos debates e apresentações sobre temas correlatos ao mote da ExpoAmazônia – os polos de bioeconomia e de tecnologia da informação e comunicação – abrigaram 80 palestras que, por meio de seus 120 palestrantes de vários lugares do Brasil e de outros países (como Israel e Alemanha, por exemplo), foram o ambiente propício para se reunir pessoas de diferentes entidades que tratam dos mesmos assuntos para conversarem juntas e melhor compreenderem a realidade do ecossistema amazônico.

Especificamente sobre tecnologia, dois ambientes dedicados ao compartilhamento de conhecimentos foram organizados: o Hackathon e a Arena Maker/Kids. O primeiro, além de promover um desafio para desenvolvedores, permitiu que fossem realizadas atividades intensivas em tecnologias e possibilitou a premiação de soluções tecnológicas que visam a desenvolver e melhorar as cadeias produtivas e a rastreabilidade dos processos, dentre outros aspectos. Já a Arena Maker/Kids abriu espaço para que os jovens pudesse interagir com mecanismos atuais de robótica, inclusive com a participação de um instituto indígena que já realiza tal experiência em comunidades da região.

O Coding Challenge e a Arena Business Sebrae também foram espaços importantes do evento. “No formato de encontro de negócios, a Arena Sebrae ofereceu um leque de oportunidades para o ecossistema de inovação. Por meio de reuniões pré-agendadas, demandantes e ofertantes puderam prospectar e realizar negócios. Startups, investidores, representantes do governo, institutos de tecnologia, indústrias, empresas, além dos palestrantes, disponibilizaram agendas para reuniões, gerando assim novas oportunidades para o mercado e movimentando o ecossistema de inovação”, disse a coordenadora do evento e presidente do Conselho da Associação do Polo Digital de Manaus (APDM), Vânia Thaumaturgo.

Comitivas internacionais

Vale ressaltar a visibilidade internacional do evento a partir da participação das comitivas que se fizeram presentes à ExpoAmazônia. O BNDES, que além de seu presidente nacional trouxe mais de 40 executivos da instituição para tratar de temas voltados ao desenvolvimento da Amazônia, convidou CEOs de bancos de desenvolvimento da Colômbia, México, África do Sul, Alemanha e França para os debates na Expo. E cada representante trouxe mais membros de suas comitivas, como o banco alemão KfW, que contou com oito executivos na região.

Houve, ainda, a participação de comissões e comitivas de Israel, de estudantes do Instituto de Tecnologia de Massachusetts (MIT/EUA) e de Cambridge (Inglaterra), por exemplo.

Promotores de inovação do País

A ExpoAmazônia também atraiu representantes de ambientes de promoção de inovação das principais cidades que têm esta estrutura no Brasil. pode-se citar a diretora do núcleo de gestão do Porto Digital de Recife (PE), o diretor do núcleo de inovação da Oracle (que representou o estado de São Paulo), o vice-presidente da InvestRIO (agência de inovação e atração de investimentos da Prefeitura do Rio de Janeiro), a secretária de Ciência, Tecnologia e Inovação de Florianópolis (SC) e representantes da Secretaria de Ciência, Tecnologia e Inovação de Curitiba (PR).

Economia aquecida

Com a ExpoAmazônia, a economia local recebeu um impulso em diversas áreas, tais como turismo de negócios, turismo ecológico e turismo gastronômico, entre outros. Hoteis locais tiveram aumento do fluxo de hóspedes, que buscaram os restaurantes da região para conhecer a gastronomia amazônica e também aproveitaram para realizar passeios tipicamente regionais.

Por fim, para que o evento fosse realizado, foram gerados mais de 900 empregos diretos e indiretos, que incluíram profissionais das áreas de segurança, limpeza, sistema de saúde privado, arquitetura, sonorização, comunicação, produtores audiovisuais e tantos outros. Além disso, voluntários puderam contribuir para o sucesso do evento, além de ganharem experiência para sua vivência profissional.

Que os resultados apurados gerem o retorno esperado para a região e para a sociedade local. E que os próximos eventos possam alavancar e fortalecer ainda mais esta iniciativa de se diversificar a matriz econômica local e possibilitar melhorias para a Amazônia, o Brasil e todo o mundo.