Da vida acadêmica para o desafio empresarial de transformar recursos da biodiversidade amazônica em produtos da cosmética. Danniel Pinheiro, 28 anos, mestre em biologia, há cinco anos é um dos fundadores da empresa Biozer da Amazônia, e no próximo dia 27 vai receber o título de Microindustrial do Ano, em solenidade promovida pelo Sistema Indústria do Amazonas no Clube do Trabalhador.

A Biozer tem sua história iniciada em 2008 no Instituto Nacional de Pesquisas da Amazônia (INPA), com o pesquisador Carlos Cleomir de Souza Pinheiro, pai de Danniel, que a idealizou com o objetivo de levar saúde e beleza, ao contribuir para a percepção de bem-estar na vida das pessoas com o uso de produtos essencialmente naturais, seguros e sustentáveis, baseados na biodiversidade amazônica.

A realização de pesquisas e desenvolvimento de tecnologia para trabalhar com produtos extraídos da Amazônia foi o primeiro passo, mas até 2016 não havia resultados palpáveis. Em 2017, o empresário Danniel Pinheiro e seu sócio, Domingos Amaral, 49 anos, unindo conhecimento e capital, criam então a primeira marca, a Simbioze Amazônica.

A marca de cosméticos naturais utiliza matérias-primas orgânicas, 100% naturais, aprovadas e registradas. “Temos como objetivo atingir o mercado internacional e ser reconhecida como uma marca de produtos naturais de qualidade premium que leva a essência da floresta nos produtos para cuidados com a pele”, disse o empresário.

Segundo Amaral, seu interesse inicial era entender o funcionamento do projeto Biozer e fazer uma parceria para levar matérias-primas para o Rio Grande do Sul, onde já tocava um projeto de cosméticos, mas acabou conhecendo o pesquisador Carlos Cleomir e seu filho Danniel, dando o pontapé inicial com o projeto Biozer.

       “Queria agradecer o reconhecimento ao nosso trabalho, fico extremamente orgulhoso em estar construindo com o Danniel um modelo de negócios, abrindo oportunidade para outras empresas do mesmo segmento. Acredito que esse prêmio venha colocar uma cereja no bolo do nosso trabalho até aqui”, destacou o sócio Amaral.

A Biozer da Amazônia é uma startup genuinamente amazônica, referência em bioeconomia no Norte e no Amazonas. Está incubada no Centro de Incubação e Desenvolvimento Empresarial (Cide), desde 2017, onde já passou por duas das quatro fases de incubação: instalação – constituição do empreendimento, instalação e início do desenvolvimento do produto e, crescimento – desenvolvimento técnico e financeiro e início da comercialização do produto.

Dez profissionais atuam nas áreas administrativa, marketing, financeira, produção e no desenvolvimento farmacêutico da Biozer. “Temos o propósito de levar saúde e beleza para as pessoas em primeiro lugar e isso conseguimos alcançar com a nossa equipe”, disse Danniel.

         A empresa trabalha com quase todas as matérias-primas de base florestal amazônica, como a castanha, andiroba, pracaxi, patauá, muru-muru, açaí, cupuaçu e tucumã, itens utilizados na fabricação dos cosméticos, tanto para o skin care, nos cuidados com a pele, quanto para o hair care, linhas para cabelos. O empresário ressalta que o novo desafio é trabalhar com produtos capilares sólidos.

A captação de matéria-prima é um dos gargalos da empresa, que atualmente se utiliza do extrativismo local dentro da cadeia produtiva de insumo. Diversas atividades são realizadas diretamente com comunidades extrativistas para obtenção de melhorias e menor impacto ambiental durante a colheita de frutos e sementes.

         Em paralelo aos cosméticos, a empresa também desenvolve a sua linha de medicamentos fitoterápicos, uma alternativa para melhoria da qualidade de vida das pessoas e assim gerar impacto positivo na região Norte. Tendo em vista, que um dos principais objetivos futuros para os sócios é trabalhar em prol da saúde.

         Sem loja física, a Biozer da Amazônia, por meio da marca Simbioze Amazônica, trabalha em Manaus apenas com o varejo direto em farmácias, como Santo Remédio e Bemol Pharma e, supermercados, como Pátio Gourmet e, por meio do e-commerce, em todo o Brasil. A marca já exporta para o Chile, Estados Unidos, Canadá e Israel.

Danniel pretende exportar para países do Golfo e Emirados Árabes e, para tal, a empresa conquistou a certificação HALAL, que atesta que o processo produtivo de todos os produtos respeita e estimula a ética e a cultura do consumidor, com o objetivo de levar cosméticos naturais e veganos, com parâmetros internacionais de qualidade, não derivados de animais ilícitos, ingredientes proibidos e/ou considerados “haram”, termo usado no Islã para se referir a qualquer coisa que é proibida pela fé. Dessa forma, a Biozer da Amazônia é reconhecida no mercado nacional como a primeira marca de cosméticos naturais com a certificação.

Pinheiro revela que os negócios ainda estão no período de muitos investimentos e se recupera do período de dois anos de pandemia, com queda das vendas. Em 2021 o faturamento foi de R$ 680 mil. Ainda assim, os planos para os próximos anos são vários, como o espaço próprio, além dos sonhos pessoais que incluem o desejo de estabelecer um legado “queremos fomentar cada vez mais a bioeconomia até nos tornar uma referência e poder estar auxiliando novos negócios a desenvolver produtos similares”.

 

Conheça o Cide

O diretor executivo do Centro de Incubação e Desenvolvimento Empresarial (Cide), José Grosso, explica que a incubadora tem como objetivo estimular a criação e o desenvolvimento de empresas inovadoras, de base tecnológica, com ênfase nos setores de biotecnologia, tecnologia da informação e eletrônica, mediante ações que contribuam para incentivar o empreendedor e o desenvolvimento socioeconômico do Estado.

As empresas se instalam por período de três anos e podem ser associadas com espaço físico próprio, e residentes, com utilização de espaço cedido pelo Cide para trabalhar e adquirir conhecimentos, carência de mais um ano, caso ainda não tenham sede própria ou financiamento aprovado.

As incubadas passam por quatro fases de incubação:

  1. Instalação – constituição do empreendimento, instalação e início do desenvolvimento do produto;
  2. Crescimento – desenvolvimento técnico e financeiro e início da comercialização do produto;
  3. Consolidação – fortalecimento do empreendimento;
  4. Desincubação – início do processo de transferência da empresa para suas próprias instalações.

O Cide fica localizado na avenida Rodrigo Otávio, zona Sul de Manaus, e dispõe de uma área de 12 mil metros quadrados. Hoje são 27 empresas beneficiadas, sendo 15 residentes de segmentos como Automação 4.0, Bioeconomia, Inteligência Artificial e Alimentos e, 12 associadas na modalidade Startup, que trabalham com verba de P&D e Programa Prioritário.

Grosso assinala que para uma empresa ser incubada não precisa do CNJ, basta o CPF e apresentar um plano de negócios, com projetos de inovação e tecnologia, ressaltando que a empresa terá 60 dias para ter o seu projeto aprovado, caso contrário não poderá se instalar.

“No Cide as empresas recebem consultoria e assessoria, além de participação em eventos e feiras nacionais e internacionais em parceria com a Suframa, que darão grande visibilidade para a colocação de seus produtos em outros mercados”, cita Grosso.

O Cide tem 17 galpões com preços subsidiados que chegam a ser 50% mais baixo do que o preço de mercado, em dois tamanhos de galpões, sendo o menor, medindo 125m2 e o maior 185m2, com aluguéis em valores que variam de R$ 2.740,00 a R$ 3 mil, respectivamente”, de acordo com Grosso.

Diversas empresas passaram pelo Cide, entre elas,  a Amazon Doces (Alimentos), Wakusesi (Produção de Açaí), Pronatus (Fisioterápicos), Pharmacos (Fisioterápicos), CQLAB (Análise técnica laboratorial) e Rita Prossi (Biojóias).