Duas espécies de mamíferos aquáticos da região amazônica, ameaçadas de extinção, são monitoradas por pesquisa amparada pelo Governo do Amazonas, por meio da Fundação de Amparo à Pesquisa do Estado do Amazonas (Fapeam). O estudo “Estratégias para o monitoramento da saúde de mamíferos aquáticos da Amazônia” foi desenvolvido no âmbito do Programa de Apoio à Pesquisa (Universal Amazonas) – Edital Nº 006/2019, e monitorou os parâmetros de saúde do peixe-boi da Amazônia e do boto vermelho.

O estudo desenvolvido por pesquisadores do Instituto Nacional de Pesquisas da Amazônia (Inpa) buscou implementar protocolos de acompanhamento do estado de saúde desses animais, e assim contribuir para a conservação das espécies. Os cientistas analisaram espécies mantidas em cativeiro na sede do Inpa, em semicativeiro no município de Manacapuru (distante 68 quilômetros de Manaus) e em vida livre na Reserva de Desenvolvimento Sustentável de Mamirauá.

“A avaliação da saúde de golfinhos de vida livre ocorre em poucos locais do mundo devido às dificuldades logísticas e o alto custo para tais operações. Aqui no Brasil, esse tipo de estudo já é feito há mais de 20 anos pela equipe do Laboratório de Mamíferos Aquáticos do Inpa no âmbito do Projeto Boto, coordenado pela Dra. Vera da Silva. Os golfinhos são considerados sentinelas do meio ambiente e a sua saúde pode estar alterada em ambientes impactados pelo homem,” explicou a coordenadora da pesquisa, a doutora em Reprodução Animal, Daniela Mello.

Segundo a pesquisadora, o estudo possibilitou a análise completa dos parâmetros de saúde físico e fisiológicos dos animais, entre os quais, coleta de sangue, urina, fezes, verificação de peso e biometria corporal, frequência cardíaca e respiratória, saturação de oxigênio, temperatura, além da checagem da presença de bactérias, fungos e doenças com potencial zoonótico ou epizootico.

O diagnóstico das condições de saúde dos animais permitiu ainda conhecer as principais patologias que precisam ser combatidas e tratadas para promover o equilíbrio ecológico de peixes-bois e botos vermelhos na natureza.

“Nesse sentido foi investigada a ocorrência potencial de doenças bacterianas tais como salmonelose, clostridiose, leptospirose e brucelose. Além de doenças parasitárias como giardíase, criptosporidiose e toxoplasmose. Esses exames foram particularmente importantes para os animais selecionados que foram devolvidos ao meio ambiente, já que não devem ser vetores de doenças ou parasitas para os mamíferos selvagens de vida livre”, afirmou.

Filhotes – Os pesquisadores também investigaram a saúde dos filhotes de peixes-bois, com o uso de testes rápidos para detecção de processos inflamatórios nestes mamíferos. Este recurso é útil em filhotes, porque nem sempre as inflamações são detectadas por meio de exames de sangue.

Contribuição e Parceria – Ao todo, 15 cientistas de diferentes especialidades e instituições participaram projeto, entre os quais, estão pesquisadores da Escola de Medicina Veterinária da Universidade Federal de Minas Gerais (UFMG) e da Faculdade de Medicina Veterinária e Zootecnia da Universidade de São Paulo (USP). O Aquário de São Paulo e a Faculdade de Medicina Veterinária da Universidade de Santo Amaro (UNISA) também contribuíram para a pesquisa.

“O auxílio financeiro da Fapeam foi de fundamental importância para o desenvolvimento das atividades do projeto, e viabilizou a compra de equipamentos e materiais para que os experimentos pudessem ser realizados”, finalizou.

iversal Amazonas – Desenvolvido pelo Governo do Amazonas, via Fapeam, o Programa Universal Amazonas financia atividades de pesquisa científica, tecnológica e de inovação, ou de transferência tecnológica, em todas as áreas do conhecimento.