Antonio Silva

Presidente da FIEAM

E-mail: presidencia@fieam.org.br

Somente com o desempenho pleno do setor público, no seu papel fundamental como investidor estratégico de longo prazo, teremos condições de alcançar maior desenvolvimento econômico no Estado do Amazonas. Durante todos esses anos que tivemos crescimento e prosperidade, graças ao modelo Zona Franca de Manaus (ZFM), a região continuou, infelizmente, carente de investimentos estruturantes, não havendo em curto e médio prazo nada que possa substituir os incentivos fiscais e nos livrar dessa dependência, que tem tempo determinado para o seu fim.

Por isso defendemos incansavelmente a manutenção dos incentivos fiscais pelo prazo estabelecido, para que possamos, com empenho e comprometimento do governo federal, estadual e municipal, elaborar um plano de ação de longo prazo, com alternativas garantidoras da sobrevivência econômica.

Plano que leve em consideração o potencial e quantifique a diversidade de recursos naturais disponíveis na Amazônia Ocidental, que ofereça reais oportunidades na exploração de atividades turísticas, mineração, construção naval, produtos florestais como borracha, castanha, madeiras, juta, peixes ornamentais e peixes de cativeiro.

Atividades produtivas regionais pouco aproveitadas enquanto possuímos, aproximadamente, um milhão e meio de quilômetros quadrados de densa floresta, sem que haja um planejamento adequado de infraestrutura. Temos petróleo, gás, calcário, potássio, caulim e outros minérios, sem o aproveitamento adequado de uma exploração planejada e sustentável que cause o mínimo de impacto negativo ao ambiente natural.

Possuímos uma indústria naval que precisa ser priorizada, com oportunidades de financiamentos e auxílio na dinamização da sua produção. Temos ainda os produtos florestais, que durante muito tempo sustentaram a nossa economia e agora não são devidamente explorados. São segmentos econômicos que, para terem êxito, envolvem altos investimentos em infraestrutura, considerando as peculiaridades e a grandeza da floresta amazônica.

São alternativas cujos rendimentos financeiros não chegam perto do que se obtém com a ZFM, mas pelo menos abre um leque diversificado de opções produtivas para evitar a mono dependência econômica. Urge pensar num estudo e planejamento ambicioso, que afira a composição e determine a viabilidade econômica das potencialidades latentes e possibilite a exploração sustentável, seja na bioeconomia, seja em outras áreas. Será necessário definir políticas e estratégias para viabilizar a exploração das oportunidades de negócios identificadas, considerando a variedade, quantidade e, concomitantemente, a importância que as mesmas representam para o mercado local, regional, nacional e internacional.

Portanto, não será com confronto direto e desagregante que venceremos adversidades, mas por meio do diálogo construtivo com ideias e fundamentos que possam convencer e harmonizar os interesses conflitantes. O êxito de qualquer plano depende do pleno engajamento governamental e participação dos envolvidos.