O PIB do Amazonas avançou a uma taxa de dois dígitos, em 2021, em ritmo suficiente para repor as perdas impostas pelo primeiro ano da pandemia. É o que aponta estudo da Sedecti (Secretaria de Estado de Desenvolvimento Econômico, Ciência, Tecnologia e Inovação), a partir dos dados do Sistema de Contas Nacionais Trimestral, do IBGE.

Segundo a sondagem, o Produto Interno Bruto do Estado encerrou o ano passado com expansão nominal de 16,93% em relação ao ano de 2020, totalizando R$ 126,32 bilhões. Mas, a escalada dos preços e dos juros fez a economia amazonense praticamente entrar em ponto morto no segundo semestre, a despeito da sazonalidade positiva. O quarto trimestre (R$ 32,86 bilhões) registrou alta de 12,92% em relação ao mesmo período de 2020 (R$ 29,10 bilhões), mas subiu apenas 1,92% na comparação com os três meses anteriores (R$ 32,24 bilhões).

Em um ano em que o IPCA bateu em 10,6%, boa parte do ganho veio da inflação, já que os desempenhos reais apontam para um crescimento de apenas 2,60%, no primeiro caso, e para uma queda de 1,01%, no segundo. Em linhas gerais, a estimativa é que a economia amazonense foi puxada principalmente pela indústria, tanto em termos de crescimento anual (+18,49%), quanto em volume (R$ 9,888 bilhões).

Comércio, serviços e agropecuária também avançaram, em medida um pouco menor. Coube à arrecadação de tributos, no entanto, a segunda posição do ranking de índices de crescimento no PIB estadual. Diante do refluxo da pandemia –e a despeito da nova variante –, o governo do Estado mantém otimismo para 2022. Mas, diante do cenário econômico atual, e dos impactos da guerra na Ucrânia, espera “crescimento modesto”.

Indústria e arrecadação

O estudo indica que a taxa de expansão da indústria superou a média do Estado, além de alcançar também o maior valor absoluto. O setor totalizou R$ 38 bilhões e escalou 18,49% em relação a 2020. É um número mais generoso do que o encontrado na Pesquisa Industrial Mensal do IBGE (+6,4%). O melhor desempenho veio dos Serviços industriais de Utilidade Pública, que somaram apenas R$ 4,81 bilhões, mas decolou 26,35% na variação anual. As indústrias extrativas (+19,39% e R$ 1,86 bilhão), de transformação (+17,31% e R$ 27,74 bilhões) e da construção (+17,31% e R$ 3,60 milhões) vieram na sequência.

O presidente da Fieam e vice-presidente executivo da CNI, Antonio Silva, disse à reportagem do Jornal do Commercio, em entrevistas anteriores, que o setor enfrentou “inúmeros problemas”, em um “ano desafiador”. Embora avalie que as oscilações prejudiquem uma análise mais precisa dentro da série histórica, o dirigente destacou que os números da manufatura amazonense demonstram a força e a pujança do modelo ZFM.

“Isso, para um ano de intensa crise, denota a solidez de nossas indústrias. E reflete, naturalmente, na melhoria dos dados econômicos do Amazonas, seja pelo acréscimo na renda da população, seja no número de postos de trabalho criados”, finalizou. A arrecadação de impostos do Estado, contudo, foi a rubrica com o segundo maior crescimento proporcional no ano, superando os resultados de serviços, comércio e agropecuária, e perdendo apenas para a indústria.

O recolhimento chegou a R$ 20,25 bilhões, conforme o estudo da Sedecti, o que configura um crescimento d e 1 7 , 6 7 % no confronto com os valores de 2020, sem descontar a inflação do período. Serviços e agropecuária Os serviços –que incluem o comércio –vieram em seguida. O primeiro totalizou R$ 61,95 bilhões no acumulado de 2021 e cresceu 16,29% ante 2022. Com a diminuição das restrições das casas noturnas, eventos e shows, em função do refluxo da pandemia no terceiro trimestre, o subsetor das artes, cultura, esporte e recreação, teve a maior alta (+22,81%) de seus subsetores.

Foi seguido de longe pelas atividades financeiras (+17,96%) e administração pública (+17, 49% ), entre outros. Aponta – do pelo estudo da Sedecti como uma costela de serviços, o comércio amazonense totalizou R$ 11,29 bilhões em valores adicionados ao PIB do Estado do ano passado, além de avançar 15,31% na variação acumulada dos 12 meses de 2021. Em contraste, a Pesquisa Mensal do IBGE indica que o setor encolheu 1,3% na mesma comparação, registrando o terceiro pior número desde 2010, em resultado melhor apenas do que os de 2015 e 2016 – que foram anos de recessão.

Também mostrou descolamento recorde na receita nominal, em razão da espiral inflacionária. Em entrevista anterior à reportagem do Jornal do Commercio, o presidente em exercício da Fecomércio-AM, Aderson Frota, apontou que os serviços foram favorecidos pela reabertura econômica e por segmentos baseados em internet e transportes, sendo que as atividades presenciais só aqueceram no final do ano. Mas, salienta que serviços e comércio não escaparam da conjunção econômica desfavorável.

“O emprego não cresceu como queríamos, e a inflação, dólar e juros contribuíram para queda de renda e empobrecimento da população, assim como para maior endividamento e inadimplência”, analisou. Minoritária, a agropecuária do Amazonas (R$ 6,09 bilhões), alcançou o menor resultado da lista (+11,64%), tendo conseguido encerrar 2021 em campo positivo, apesar dos impactos econômicos negativos da pandemia e da cheia recorde do ano passado. Foi favorecida principalmente pela pecuária (+14,83% e R$ 681 milhões) e, em menor grau, pela agricultura (+12,09% e R$ 3,31 bilhões) e pelo grupo que reúne produção florestal e pesca (+9,94% e R$ 2,10 bilhões).

“Taxas modestas”

Em texto veiculado por sua assessoria de imprensa, o titular da Sedecti, Jório Veiga, salientou que o resultado do PIB do Amazonas em 2021 é digno de celebração, e que o governo estadual fica “esperançoso” em relação a 2022.

À reportagem do Jornal do Commercio, o secretário estadual disse que os números vieram dentro do esperado, embora o Estado tivesse potencial para crescimento maior. Ele lista que os principais entraves foram a escalada inflacionária, a segunda onda de Covid-19 no Amazonas, e os problemas nas cadeias de suprimento gerados pela escassez de transporte internacional e de componentes para o PIM.

Jório Veiga reforçou que, em decorrência das dificuldades atravessadas em meio à crise da Covid-19, que represaram produção e vendas, o retorno não veio na mesma medida para todos os agentes econômicos do Estado.

“Embora tenhamos crescido muito em valores nominais, a inflação reduziu o ganho real. Por outro lado, com maiores custos de importação e vendas maiores, a rubrica de impostos também teve uma participação aumentada, assim como os demais setores da economia”, explicou. A despeito do novo choque do petróleo, e dos novos impactos econômicos aguardados em razão da guerra na Ucrânia, o secretário considera que as perspectivas ainda são positivas para a economia do Amazonas, em 2022.

“Temos uma boa expectativa, já que não teremos tanta restrição de transporte e insumos. Espera-se uma redução na inflação, que será bem menor que a esperada anteriormente, em função do conflito no Leste Europeu. Tampouco esperamos uma nova onda da pandemia, o que nos fará retomar as atividades normalmente, permitindo que todos os setores operem na sua plenitude. A expectativa é de crescimento sim, mas com taxas modestas”, concluiu.